
O Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM) aprovou um aumento de passagem de 4,46% nos ônibus do Grande Recife, decisão que eleva o valor do Bilhete Único dos atuais R$ 4,30 para cerca de R$ 4,50, após arredondamento. A deliberação ocorreu durante uma reunião realizada em formato online, com parte dos conselheiros reunidos presencialmente na sede do Grande Recife Consórcio de Transporte, localizada no bairro do Recife.
Enquanto a votação acontecia, manifestantes protestavam em frente ao prédio do consórcio, expressando indignação com o aumento da tarifa e cobrando mudanças estruturais no modelo de transporte público da Região Metropolitana. O protesto reuniu movimentos sociais, sindicatos e representantes estudantis, que classificaram o reajuste como injusto diante da qualidade do serviço oferecido e da situação econômica da população.
Segundo o Governo de Pernambuco, o reajuste foi proposto com base na inflação acumulada entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, buscando recompor parcialmente os custos do sistema. O aumento aprovado abrange não apenas o Bilhete Único, mas também o Anel G e diversas linhas do serviço opcional e especial que operam na Região Metropolitana do Recife.
Apesar da aprovação pelo CSTM, o novo valor ainda não entra em vigor imediatamente. A medida precisa ser homologada pela Agência de Regulação de Pernambuco (Arpe), responsável por realizar o arredondamento oficial das tarifas e publicar os valores finais no Diário Oficial do Estado.
De acordo com os valores aprovados pelo conselho, sem arredondamento, o Bilhete Único ficou fixado em R$ 4,4753, o Anel G em R$ 3,0313, enquanto algumas linhas opcionais tiveram reajustes mais elevados. Entre os exemplos estão a linha 041 – Setúbal, com tarifa de R$ 5,7754, e a linha 195 – Recife/Porto de Galinhas (Opcional), que passará a custar R$ 22,5227.
A reunião contou com representantes da Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura, do Grande Recife Consórcio de Transporte e de segmentos da sociedade civil. No entanto, houve críticas quanto ao formato virtual do encontro, considerado inadequado para um tema de grande impacto social. Durante a sessão, o representante dos estudantes solicitou a retirada do item da pauta para permitir um debate público mais amplo, mas o pedido foi rejeitado pela maioria dos conselheiros.
O reajuste aprovado agora ocorre pouco tempo após o último aumento, registrado em dezembro de 2024, quando a tarifa teve alta de 4,29%, passando para R$ 4,30 após arredondamento. Segundo o Grande Recife Consórcio, estudos técnicos apontam que, para cobrir integralmente os custos operacionais do sistema, a chamada tarifa técnica deveria ser de aproximadamente R$ 6,14.
Para evitar que esse valor seja repassado integralmente aos usuários, o governo estadual afirmou que continuará subsidiando o transporte público, com um aporte estimado em cerca de R$ 500 milhões, além de isenções fiscais concedidas às empresas operadoras. Ainda assim, os movimentos sociais afirmam que o peso do reajuste continua recaindo sobre a população de menor renda.
Os protestos realizados no dia da votação tiveram início no Parque 13 de Maio, no centro do Recife, e seguiram até a sede do consórcio, onde os manifestantes chegaram a ocupar a entrada do prédio. As reivindicações vão além da rejeição ao aumento: os grupos defendem a gratuidade do transporte público, maior participação popular nas decisões do conselho e um sistema que priorize o interesse coletivo, e não apenas o equilíbrio financeiro das empresas.
De acordo com militantes presentes no ato, mais de 100 cidades brasileiras já adotaram modelos de transporte público gratuito, o que, segundo eles, demonstra a viabilidade da proposta. Para os manifestantes, o protesto simboliza uma mobilização permanente contra o aumento das tarifas e em defesa de um transporte público acessível, eficiente e de qualidade, capaz de atender às necessidades da maioria da população da Região Metropolitana do Recife.