
O consórcio MEZ-RZK Novo Centro, sob liderança da Zetta Infraestrutura, foi o vencedor do leilão para a construção e administração do Novo Centro Administrativo localizado nos Campos Elíseos, em São Paulo. Com um investimento total estimado em R$ 6 bilhões, esta Parceria Público-Privada (PPP) representa o principal projeto da atual gestão estadual para a revitalização do centro histórico da capital. O grupo é formado pelas empresas Zetta, M4 Investimentos, Engemat, RZK Empreendimentos e Iron Property, que asseguraram o contrato com um desconto de 9,62% na contraprestação mensal, reduzindo o valor de R$ 76,6 milhões para aproximadamente R$ 69,2 milhões.
O objetivo do projeto é reunir cerca de 22 mil servidores públicos, atualmente espalhados em 40 edifícios, em um complexo com sete novas construções. Os custos serão divididos entre o governo estadual, que contribui com R$ 3,4 bilhões, e o consórcio liderado pela Zetta, que investirá R$ 2,6 bilhões. O empreendimento prevê fachadas ativas com 25 mil metros quadrados para comércio e serviços no pavimento térreo, restauração de 17 prédios históricos na região e melhorias na mobilidade urbana, como a remoção do Terminal Princesa Isabel, que será substituído por uma nova estrutura próxima à Estação da Luz.
Entretanto, para avançar com as obras, o governo precisará desapropriar e desocupar cerca de 600 famílias, o que tem gerado protestos de grupos de moradia do Centro de São Paulo, especialmente nas áreas próximas às avenidas Rio Branco e Duque de Caxias. O governador Tarcísio de Freitas reconhece que grandes obras trazem transtornos, mas reforça a importância do projeto para o desenvolvimento da região e garante indenizações e apoio habitacional às pessoas afetadas. Essa iniciativa faz parte de um conjunto maior de intervenções que inclui reformulações em escolas, o projeto de um VLT, a construção da nova sede do Comando de Policiamento Metropolitano e obras no entorno da Favela do Moinho.
O desenho do complexo foi elaborado pelo escritório Ópera Quatro, após concurso público em 2024. Segundo o arquiteto Pablo Chakur, líder do projeto, a inspiração veio de exemplos internacionais que promovem a integração urbana e a concentração de edifícios públicos, evitando a criação de espaços isolados. O projeto destaca a importância da permeabilidade física e visual, a criação de praças abertas ao público e a conexão com o transporte coletivo, respeitando a escala e características do bairro dos Campos Elíseos.
A Zetta, que já disputou a concessão do Parque Dom Pedro II, atua em parceria com a RZK Empreendimentos, detentora do Reserva Raposo, e a Engemat, empresa de engenharia que integra o consórcio. Para financiar o projeto, o grupo avalia alternativas como empréstimos junto ao BNDES, bancos internacionais e emissão de debêntures incentivadas. O início das obras está previsto para o 18º mês após a assinatura do contrato, com foco inicial na desativação e reconstrução do terminal de ônibus e na construção de um edifício para os Correios. A previsão é que o funcionamento do Novo Centro Administrativo ocorra em 2030, com gestão administrativa e manutenção realizadas pelo consórcio. Este projeto é visto como um marco importante para a valorização e requalificação do setor de real estate no centro da capital paulista.