
O mercado imobiliário brasileiro iniciou o ano de 2026 com perspectivas positivas de crescimento, impulsionado pela busca por alternativas ao crédito tradicional em um cenário marcado por juros elevados. Nesse contexto, os consórcios de imóveis vêm ampliando sua participação e atraindo consumidores que desejam adquirir bens sem recorrer a financiamentos com taxas altas.
Segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, o setor projeta um aumento de 10% nas vendas ao longo do ano. A estabilização das taxas de juros em níveis considerados elevados e a maior confiança do consumidor têm sido fatores decisivos para essa mudança no comportamento do mercado imobiliário.
Diferentemente do financiamento tradicional, o consórcio se destaca por não cobrar juros nem exigir pagamento de entrada, embora exija um planejamento financeiro a longo prazo. Nesse modelo, o participante escolhe o valor do crédito, a partir de cerca de R$ 80 mil, e faz contribuições mensais até ser contemplado por sorteio ou lance, momento em que pode utilizar o valor para aquisição do imóvel.
Além disso, o consórcio possibilita o pagamento à vista assim que contemplado, o que aumenta o poder de negociação na compra de imóveis prontos, participação em leilões ou financiamento de construções. O crédito é corrigido anualmente pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), o que ajuda a preservar o poder de compra diante da inflação do setor.
De acordo com a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios, o volume de créditos comercializados em janeiro de 2026 cresceu 35,6% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Atualmente, o país conta com 2,84 milhões de participantes ativos nessa modalidade, representando um aumento de 30,3% em 12 meses.
No âmbito das administradoras, a Ademicon destacou-se ao comercializar mais de R$ 9 bilhões em créditos imobiliários no primeiro bimestre de 2026, um crescimento de 112% em relação ao mesmo período de 2025.
Esse avanço dos consórcios revela a adaptação do mercado às condições de crédito mais restritivas, com consumidores buscando alternativas para adquirir imóveis e formar patrimônio em meio a juros elevados.