
A construção civil encerrou 2025 com um desempenho resiliente, mas pressionada por juros elevados e custos crescentes que limitaram sua expansão. De acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o setor manteve-se firme devido a um mercado de trabalho aquecido e à valorização da renda, embora as condições econômicas adversas continuem a impactar o ritmo do crescimento, com expectativas de melhora a partir de 2026.
Apesar de ser um dos setores que mais contribuem para o Produto Interno Bruto (PIB), a construção civil registrou avanço de 1,3% em 2025, desempenho inferior ao potencial do setor mesmo com o crescimento do PIB brasileiro em 2,4% até o terceiro trimestre. A economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, explicou que o resultado modesto está diretamente ligado à alta dos juros e dos custos, apesar do cenário econômico positivo sustentado pelo mercado de trabalho aquecido e pela menor taxa de desemprego desde 2012, que fechou o ano em 5,1%.
O emprego formal no setor aumentou 3,08%, chegando a 2,9 milhões de trabalhadores com carteira assinada, com São Paulo liderando a criação de vagas, seguido por estados do Nordeste. Entretanto, a geração de empregos desacelerou, com 87.878 novas admissões, 19,5% menos que no ano anterior. O custo da mão de obra subiu 8,98%, contribuindo para o aumento geral de 5,9% nos custos de construção, acima da inflação oficial de 4,26%. Além disso, insumos como cimento e fio de cobre tiveram variações significativas de preço que influenciaram o orçamento das obras em diferentes regiões do país.
O setor também enfrentou uma queda na confiança, refletida pela Sondagem da Construção, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a CBIC. No consumo, as vendas no varejo de materiais de construção recuaram ligeiramente, porém o consumo de cimento cresceu 3,68%, e os investimentos em infraestrutura alcançaram R$ 280 bilhões, com predominância do capital privado em 84% do total. O crédito imobiliário apresentou movimento de acomodação, com queda nos financiamentos via poupança e aumento nos financiamentos com recursos do FGTS.
Os principais desafios para o setor continuam sendo os juros elevados, a carga tributária e o custo da mão de obra, fatores que segundo especialistas são estruturais e limitam o potencial de expansão da construção civil. Para 2026, a CBIC projeta crescimento de 2%, impulsionado pela possível queda da taxa Selic, ampliação do crédito habitacional e investimentos em infraestrutura, além de novos contratos no programa Minha Casa, Minha Vida. Ieda Vasconcelos destaca que com a melhora do crédito e a redução consistente dos juros, o setor poderá retomar seu papel de motor econômico no Brasil.