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Construção civil na Paraíba enfrenta desaceleração e queda nas vendas
5 de abril de 2026 / 12:38
Foto: Divulgação

O setor da construção civil na Paraíba apresenta sinais de desaceleração, com empresários projetando um arrefecimento do mercado para os próximos seis meses, conforme revela a Sondagem Indústria da Construção da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção. A pesquisa indica que os empreendedores esperam queda no emprego e diminuição no lançamento de novos empreendimentos.

O índice de expectativa de número de empregados recuou 2,3 pontos, situando-se em 49,5 pontos, enquanto o índice referente a novos empreendimentos e serviços caiu 1,5 ponto, para 49,7. Valores abaixo dos 50 pontos refletem a perspectiva de queda no mercado nos próximos meses.

Inflação e conflito no Oriente Médio

Um dos principais fatores que alimentam o pessimismo do setor é a guerra no Oriente Médio, que provoca incertezas econômicas, alta no preço do petróleo e pressiona os juros para patamares elevados. Atualmente, a taxa Selic está em 14,75% ao ano, conforme decisão do Copom em março de 2026.

Wallace Patrick, professor da UFPB, ressalta que além do conflito, outros elementos como mudanças na reforma tributária e nos financiamentos imobiliários colaboram para o cenário de incerteza. Segundo ele, esse contexto pode levar tanto ao adiamento das compras quanto à antecipação, dependendo do comportamento dos compradores.

Impactos no mercado local

Na Paraíba, Alexandre Lucena, diretor comercial da Neo ABC, confirma a tendência apontada pela CNI, observando uma retração nas vendas da empresa. Embora não tenha ocorrido redução no quadro de funcionários ou cancelamento de lançamentos, existe uma revisão em curso devido à diminuição da demanda. A alta taxa de juros, próxima de 15%, tem freado o interesse dos clientes e levado construtoras a postergar novos projetos.

A elevação dos juros impacta diretamente a capacidade de pagamento e o apetite dos investidores, que preferem aguardar momentos mais favoráveis para novas aplicações. Ao mesmo tempo, a inflação e o aumento do preço do petróleo elevam os custos dos insumos para a construção, encarecendo materiais essenciais e influenciando o ritmo do setor.

Wallace Patrick destaca que o setor depende fortemente de insumos importados, e diante do cenário de juros altos e preços elevados do petróleo, a importação encarece, dificultando financiamentos e a produção.

Perspectivas para os próximos meses

Apesar dos desafios, Alexandre Lucena afirma que os lançamentos da Neo ABC previstos para o curto prazo continuarão, pois já estão programados. No entanto, o executivo alerta para o aumento recente nos custos de cimento, concreto e tintas, com reajustes entre 7% e 8%, o que preocupa, já que as obras podem durar até quatro anos e o orçamento pode ser comprometido.

Wallace Patrick observa que as perspectivas para os próximos meses dependem de variáveis como a duração do conflito no Oriente Médio, o cenário eleitoral e decisões do governo federal. Ele enfatiza que o equilíbrio entre oferta e demanda será determinante para os preços e demais indicadores do setor da construção civil.

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