
Três obras importantes em municípios da Paraíba estão sendo retomadas, porém os custos para concluir esses projetos estão tão elevados que chegam a ser quase cinco vezes maiores do que os valores orçados inicialmente. As construções abrangem um complexo esportivo e um teatro em Patos, no Sertão, além de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no Conde, litoral do estado.
A situação dessas obras foi detalhada na quarta e última parte da série “Obras Inacabadas: 3ª Temporada”, que percorreu 11 cidades para investigar os prejuízos causados por construções públicas paralisadas, resultando em desperdício de recursos públicos. Ao todo, 14 obras foram visitadas durante essa apuração.
Em Patos, a Vila Olímpica, que estava abandonada desde 2015, voltou a receber operários em 2023. O complexo conta com quadra, piscina, pista de atletismo e campo de futebol, e deve ser entregue em março de 2025. O orçamento inicial da obra era de R$ 2,9 milhões, dos quais R$ 1,3 milhão foram gastos na primeira etapa. Com novos investimentos do governo estadual e federal, a conclusão da Vila Olímpica exigirá quase R$ 1,5 milhão a mais que o previsto no começo.
Também no município do Sertão, o teatro municipal, que teve início em 2013 com orçamento estimado em R$ 2,9 milhões para a estrutura, agora demanda um investimento muito maior. Em 2024, um convênio entre a prefeitura e o governo do estado destinou R$ 10,4 milhões para a finalização da obra. Porém, em 2025, uma nova licitação confirmou a necessidade de mais R$ 3,9 milhões para concluir o projeto, incluindo melhorias na estrutura da plateia, fachada e equipamentos, totalizando um custo final próximo de R$ 17 milhões.
No litoral, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na cidade do Conde também voltou a ser construída após parada em 2023. O convênio original de 2013 previa R$ 2 milhões para a obra, mas o novo acordo feito em 2025 prevê aporte de R$ 2,9 milhões, o que corresponde a quase três vezes o valor inicial. Ajustes no projeto foram necessários para corrigir problemas como forro danificado e fiação removida, com previsão de conclusão em até um ano e meio.
Essa série evidencia que, embora alguns dos empreendimentos finalmente avancem, o impacto do atraso é significativo, tanto financeiro quanto socialmente. O principal desafio é evitar que novas obras fiquem paralisadas e garantir que as retomadas se convertam efetivamente em entregas para a população.