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Conta de luz no Nordeste terá aumento de 9,77% em 2026, alerta Thymos Energia
4 de março de 2026 / 08:52
Foto: Divulgação

Os consumidores da região Nordeste devem enfrentar um aumento médio de 9,77% na conta de luz ao longo de 2026, conforme levantamento realizado pela consultoria especializada Thymos Energia. Este reajuste é o maior do país, superando a média nacional estimada em 7,64%. Um dos principais fatores que encarecem a conta dos nordestinos é a cobrança do encargo setorial chamado Conta de Desenvolvimento Econômico (CDE), além dos reajustes específicos de cada distribuidora local. A CDE tem sido uma das causas centrais do aumento das tarifas de energia em todo o Brasil nos últimos anos.

De acordo com a análise da Thymos Energia, as outras regiões do país terão aumentos médios mais baixos: Sudeste com 5,45%, Norte 4,52%, Sul 3,61% e Centro-Oeste 0,08%. Ana Paula Ferme, diretora de Utilities e Regulação Econômica da consultoria, explica que esses valores representam médias compostas por reajustes que variam conforme o estado e a distribuidora, havendo oscilações para cima ou para baixo a depender da localidade.

O valor do reajuste aplicado por cada distribuidora difere porque o custo da energia depende dos momentos em que as empresas fizeram suas compras, além das variações nas condições de geração elétrica, especialmente da regulação hídrica no país, que influencia no preço final da tarifa. A dependência dos reservatórios das hidrelétricas torna o valor sensível à escassez de chuvas, que elevam o custo da energia. Distribuidoras que adquiriram contratos de energia em momentos de preços baixos tendem a repassar tarifas menores ao consumidor.

Outro aspecto que contribui para o encarecimento é a maior exposição das distribuidoras ao mercado de curto prazo, que utiliza o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), cuja alta é esperada para 2026 e influi diretamente na tarifa cobrada.

A diretora Ana Paula destaca que o incremento mais impactante para o reajuste no Nordeste decorre da equalização da CDE entre as regiões, uma mudança prevista por lei que visa igualar os valores pagos por essa cobrança até 2030. Até então, Norte e Nordeste pagavam menos, mas com essa equalização a conta para os consumidores dessas regiões aumenta. Em 2026, a arrecadação da CDE deve alcançar R$ 52,7 bilhões, 7% maior que em 2025, segundo consulta pública da Aneel.

A CDE financia políticas públicas importantes, como a Tarifa Social para famílias de baixa renda, o programa Luz para Todos, a geração de energia em sistemas isolados da Amazônia, subsídios para fontes renováveis e até para a indústria do carvão.

Além disso, quatro estados nordestinos terão reajuste da conta de luz ainda em abril de 2026 devido à atualização desses valores da CDE embutidos nas tarifas. Rio Grande do Norte, Ceará e Bahia terão reajustes a partir do dia 22, enquanto Pernambuco enfrenta a mudança em 29 de abril. A Aneel define essas revisões com base nos custos que as distribuidoras apresentam para prestar seus serviços. Em 2025, os encargos setoriais, incluindo a CDE, representaram 18,06% das despesas pagas pelos consumidores residenciais em suas contas de energia, conforme dados da agência reguladora.

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