João Pessoa 28.13 nuvens dispersas Recife 28.02 nuvens dispersas Natal 28.12 nuvens dispersas Maceió 29.69 algumas nuvens Salvador 27.98 nublado Fortaleza 29.07 céu limpo São Luís 30.11 algumas nuvens Teresina 34.84 nuvens dispersas Aracaju 27.97 nuvens dispersas
publicidade
Copom avalia manter Selic em 15% com diretoria incompleta nesta quarta-feira
28 de janeiro de 2026 / 18:12
Foto: Divulgação

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira, dia 28, para definir os rumos da taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 15% ao ano. A expectativa predominante entre analistas do mercado financeiro é de que a taxa seja mantida nesse patamar, considerado o mais elevado desde julho de 2006, quando a Selic atingiu 15,25% ao ano. A decisão ocorre em um ambiente econômico desafiador e marcado por fatores institucionais atípicos, o que reforça a cautela do colegiado.

Um dos elementos que tornam esta reunião singular é o fato de a diretoria do Banco Central operar com quórum incompleto. Os mandatos dos diretores responsáveis pelas áreas de Organização do Sistema Financeiro e Política Econômica expiraram ao final de 2025, e as indicações de seus substitutos devem ser encaminhadas ao Congresso Nacional apenas em fevereiro. Apesar disso, a expectativa do mercado é de continuidade na condução da política monetária, sem mudanças abruptas na estratégia adotada pelo Banco Central.

Entre setembro de 2024 e junho de 2025, a Selic passou por um ciclo intenso de aperto monetário, acumulando sete elevações consecutivas. Desde então, o Copom optou por manter os juros estáveis nos últimos quatro encontros, sinalizando que o nível atual é considerado suficientemente restritivo para conter as pressões inflacionárias. A decisão desta quarta-feira será divulgada ao final do dia e tende a reforçar a percepção de estabilidade no curto prazo.

Na ata da última reunião, realizada em dezembro, o Copom destacou que a manutenção da Selic em um patamar elevado é essencial para assegurar a convergência da inflação à meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O documento também ressaltou que o ambiente econômico segue marcado por incertezas internas e externas, o que exige uma condução prudente e vigilante da política monetária.

Dados recentes do boletim Focus, que reúne as projeções do mercado financeiro, indicam que a Selic deve permanecer em 15% ao ano pelo menos até março de 2025. No entanto, o fortalecimento da confiança em alguns indicadores e a valorização do real, com o dólar recuando para patamares próximos de R$ 5,20, têm alimentado apostas pontuais de que um corte nos juros poderia ocorrer antes do previsto, caso o cenário inflacionário continue a melhorar.

A inflação segue como o principal fator determinante das decisões do Banco Central. O IPCA-15 de outubro registrou alta de 0,2%, acumulando 4,5% em 12 meses, exatamente no limite superior da meta inflacionária. O IPCA cheio de novembro, que será divulgado nesta quarta-feira, é aguardado com atenção pelos agentes econômicos. Segundo o Focus, a projeção para a inflação de 2025 recuou para 4,4%, ainda acima da meta central de 3%, que admite variações entre 1,5% e 4,5%.

Mesmo diante de sinais de desaceleração da atividade econômica, o Copom avalia que alguns componentes do índice de preços, especialmente o setor de serviços, continuam apresentando resistência à queda, o que justifica a manutenção de uma política monetária restritiva. Esse comportamento reforça a cautela do Banco Central em iniciar um ciclo de afrouxamento prematuro.

A taxa Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação, influenciando diretamente os juros cobrados em empréstimos e financiamentos, além de servir como referência para as operações com títulos públicos. Juros elevados tendem a encarecer o crédito, reduzir o consumo e conter a inflação, mas também podem limitar o crescimento econômico. Por outro lado, a redução da Selic estimula a atividade econômica, embora possa pressionar os preços se ocorrer de forma antecipada.

As reuniões do Copom acontecem a cada 45 dias, em encontros divididos em dois dias: o primeiro é dedicado à apresentação de análises técnicas sobre o cenário econômico e financeiro, enquanto o segundo é reservado à deliberação sobre a taxa básica de juros. Desde janeiro de 2025, o Brasil adotou oficialmente o sistema de meta contínua de inflação, no qual a autoridade monetária passa a monitorar mensalmente a inflação acumulada em 12 meses, e não apenas o resultado ao final do ano-calendário.

No último Relatório de Política Monetária, divulgado em dezembro, o Banco Central manteve a projeção de que o IPCA encerrará 2026 em 3,5%, acima da meta central, mas ainda dentro do intervalo de tolerância. Essa estimativa deverá ser revisada na próxima divulgação do relatório, prevista para março, quando o Copom terá mais dados para avaliar a trajetória da inflação e os próximos passos da política monetária.

publicidade
Copyright © 2025. Direitos Reservados.