
A estatal Correios anunciou avanços importantes em seu plano de reestruturação financeira, destacando a renegociação de 98,2% das dívidas com fornecedores e prestadores de serviço entre janeiro e 13 de junho, resultando em uma economia de R$ 321 milhões graças à redução de multas e juros. A direção da empresa ressalta que essas ações têm ajudado a melhorar o fluxo de caixa e a manter a liquidez da estatal, apesar da previsão de prejuízo significativo para 2026, com recuperação esperada somente para 2027.
O processo de renegociação foi possível após a obtenção de cerca de R$ 12 bilhões em empréstimos concedidos por um consórcio de bancos no fim de 2025, com garantia da União. A empresa enfrenta atualmente a maior crise financeira de sua história recente, já acumulando um prejuízo de R$ 6,057 bilhões entre janeiro e setembro do ano passado e com projeção de déficit primário de R$ 9,1 bilhões para o próximo ano.
Além da renegociação das dívidas com fornecedores, os Correios também parcelaram R$ 1,2 bilhão em precatórios e impostos, medida que permitirá aliviar o caixa no curto prazo ao distribuir esses pagamentos ao longo do tempo. Outra estratégia adotada para reforçar a liquidez é a venda de imóveis, com um leilão planejado para este mês envolvendo prédios avaliados em aproximadamente R$ 600 milhões localizados em cidades médias e grandes. A expectativa é alienar entre 20% e 40% desses ativos, o que pode gerar até R$ 120 milhões, dentro do plano que totaliza R$ 1,5 bilhão em propriedades a serem vendidos.
Os Correios também implementaram um plano de demissão voluntária (PDV) que prevê a saída de até 10 mil funcionários. Até o momento, cerca de 500 trabalhadores já aderiram ao programa, e mil outros devem deixar a companhia em breve. Paralelamente, foram fechados 127 pontos físicos de atendimento, com meta de encerrar até mil unidades.
Na área de despesas, a revisão do plano de saúde dos funcionários, Postal Saúde, gerou economia de aproximadamente R$ 70 milhões em janeiro. A expectativa da empresa é reduzir entre R$ 500 milhões e R$ 700 milhões em gastos durante 2026. Dados internos indicam também melhora operacional significativa, com a taxa de entregas realizadas dentro do prazo passando de 65% para 91% este ano, com meta de atingir 97% para ampliar receitas e recuperar a confiança dos clientes. Essas iniciativas reforçam o foco dos Correios em sua recuperação financeira e operacional.