
A tradicional Corrida dos Bonecos Gigantes de Olinda, um dos eventos mais emblemáticos do calendário pré-carnavalesco da cidade, enfrentou chuva intensa e um atraso na largada neste sábado (7), mas nem por isso perdeu a animação e o entusiasmo que marcam a festa. Mesmo com as condições climáticas adversas, foliões, corredores e bonecos gigantes tomaram as ladeiras históricas de Olinda, reafirmando a força da tradição.
Inicialmente prevista para o início do dia, a largada precisou ser adiada e só aconteceu por volta das 13h, cerca de uma hora depois do horário programado, devido ao mau tempo. Ainda assim, sob chuva e com o chão escorregadio, os participantes encararam o percurso de pouco mais de 200 metros, que vai da Praça Laura Nigro até a sede da Prefeitura de Olinda, em um trajeto curto, porém desafiador.
Os bonecos gigantes, símbolos maiores do Carnaval de Olinda, chamaram atenção não apenas pelo colorido e irreverência, mas também pelo peso. Alguns chegam a 20 quilos, exigindo preparo físico, equilíbrio e técnica dos bonequeiros. A disputa foi dividida em duas categorias: bonecos leves, com peso entre 10 e 15 quilos, e bonecos pesados, acima de 15 quilos, aumentando o grau de dificuldade da prova.
Pelo terceiro ano consecutivo, a programação incluiu a animada Corrida das Mascotes, protagonizada por mulheres que representaram os tradicionais clubes pernambucanos Sport, Náutico e Santa Cruz, reforçando a diversidade e a inclusão no evento.
Um dos momentos mais marcantes da edição deste ano foi a vitória inédita de Wallisson Bruno Costa na categoria de bonecos pesados. Participante da corrida desde 2012, Wallisson carrega a tradição como um legado familiar. Ele é irmão de William Henrique Costa, heptacampeão da prova e vencedor da última edição, que desta vez não pôde competir por morar em Gênova, na Itália.
Após cruzar a linha de chegada, Wallisson recebeu o prêmio de R$ 2,5 mil e celebrou a conquista de forma emocionante, fazendo uma videochamada com o irmão para compartilhar o momento.
“É muito importante participar dessa corrida, a família ama essa tradição. Sempre corri na retaguarda do meu irmão para preservar essa história”, afirmou, emocionado.
Apesar da chuva persistente, a corrida reuniu centenas de foliões, em sua maioria moradores de Olinda, que acompanharam o evento protegidos por capas de chuva, guarda-chuvas improvisados ou simplesmente enfrentando a água com bom humor. Para muitos, o clima adverso deu um charme especial à competição.
Morador da cidade, Inaldo Ferreira destacou que a experiência foi diferente, mas igualmente marcante.
“Não costumo curtir carnaval, mas hoje resolvi acompanhar e ver os bonecos e os bonequeiros que conheço desde criança”, contou.
Já os recifenses Hugo Pinto e Matheus Teixeira afirmaram que acompanhar a Corrida dos Bonecos Gigantes se tornou uma tradição pessoal. Mesmo com a chuva, eles não abriram mão de prestigiar o evento, que acontece sempre no sábado anterior ao Carnaval.
“Chove ou faz sol, a gente vem. Faz parte do aquecimento para o Carnaval”, comentaram.
Mesmo sob chuva, atraso e desafios no percurso, a Corrida dos Bonecos Gigantes de Olinda seguiu firme, reunindo tradição, competição e alegria. O evento mais uma vez mostrou que o espírito carnavalesco da cidade resiste a qualquer obstáculo, transformando dificuldades em celebração e reafirmando Olinda como um dos maiores símbolos da cultura popular brasileira.