João Pessoa 28.13 nuvens dispersas Recife 28.02 nuvens dispersas Natal 28.12 nuvens dispersas Maceió 29.69 algumas nuvens Salvador 27.98 nublado Fortaleza 29.07 céu limpo São Luís 30.11 algumas nuvens Teresina 34.84 nuvens dispersas Aracaju 27.97 nuvens dispersas
publicidade
Corrida global pela bauxita impulsiona aporte bilionário chinês no Brasil
31 de janeiro de 2026 / 11:10
Foto: Divulgação

A crescente disputa por minerais estratégicos para a transição energética tem ampliado a presença chinesa no Brasil, especialmente com a aquisição do controle da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA). A estatal chinesa Chalco, em parceria com a mineradora anglo-australiana Rio Tinto, comprou a participação da Votorantim, que detinha 68,6% do capital da empresa, transferindo o controle da produtora brasileira de alumínio para esses grupos internacionais.

O acordo divulgado em fato relevante na última quinta-feira, 29, estabeleceu o preço base em R$ 10,50 por ação, totalizando aproximadamente R$ 4,69 bilhões, valor sujeito a ajustes conforme variação do CDI até a finalização da operação. Essa negociação reforça a importância do Brasil na cadeia global de fornecimento de bauxita, minério fundamental na produção de alumina e alumínio.

A movimentação ocorre em meio à crescente dependência da China das importações de bauxita. Apesar de ser o maior produtor mundial de alumínio, o país asiático não possui reservas suficientes de bauxita para manter sua capacidade industrial, tornando-se o maior importador global do minério. Suas compras concentram-se principalmente em países da África, Oceania e América do Sul, com destaque para a Austrália, onde a Rio Tinto também tem operações.

A CBA, por sua vez, declara-se autossuficiente em bauxita, insumo essencial para a produção de alumina. Com a nova composição acionária, o Brasil passa a integrar de forma mais direta a geopolítica dos metais críticos, em um cenário de competição intensa entre a China e países ocidentais pela segurança no fornecimento de matérias-primas estratégicas.

O alumínio tem ganhado destaque na economia de baixo carbono devido ao seu uso em linhas de transmissão, veículos elétricos, energia solar e eólica, além de aplicações na construção civil e infraestrutura. Leve, reciclável e eficiente, o metal é cada vez mais monitorado por governos e grandes grupos industriais.

O Brasil possui vantagens competitivas, com uma das maiores reservas de bauxita do mundo, atrás apenas da Guiné e da Austrália, além de uma matriz elétrica predominantemente renovável, o que possibilita a produção de alumínio com baixa pegada de carbono.

A entrada da Chalco, ao lado da Rio Tinto na CBA, sinaliza uma rara convergência entre interesses chineses e ocidentais em um ativo brasileiro. A operação ainda depende de aprovações regulatórias no Brasil e no exterior, mas o mercado já interpreta este movimento como indicativo do protagonismo crescente do alumínio — e, em sua origem, da bauxita — na nova geografia econômica impulsionada pela transição energética.

A Chalco é o principal braço operacional do grupo estatal chinês Chinalco e atua ao longo de toda a cadeia do alumínio, da mineração à geração de energia. Já a Rio Tinto possui atuação em mais de 35 países e é líder global na produção de bauxita e alumínio, com destaque no fornecimento de matérias-primas essenciais à economia de baixo carbono.

publicidade
Copyright © 2025. Direitos Reservados.