
A crescente disputa por minerais estratégicos para a transição energética tem ampliado a presença chinesa no Brasil, especialmente com a aquisição do controle da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA). A estatal chinesa Chalco, em parceria com a mineradora anglo-australiana Rio Tinto, comprou a participação da Votorantim, que detinha 68,6% do capital da empresa, transferindo o controle da produtora brasileira de alumínio para esses grupos internacionais.
O acordo divulgado em fato relevante na última quinta-feira, 29, estabeleceu o preço base em R$ 10,50 por ação, totalizando aproximadamente R$ 4,69 bilhões, valor sujeito a ajustes conforme variação do CDI até a finalização da operação. Essa negociação reforça a importância do Brasil na cadeia global de fornecimento de bauxita, minério fundamental na produção de alumina e alumínio.
A movimentação ocorre em meio à crescente dependência da China das importações de bauxita. Apesar de ser o maior produtor mundial de alumínio, o país asiático não possui reservas suficientes de bauxita para manter sua capacidade industrial, tornando-se o maior importador global do minério. Suas compras concentram-se principalmente em países da África, Oceania e América do Sul, com destaque para a Austrália, onde a Rio Tinto também tem operações.
A CBA, por sua vez, declara-se autossuficiente em bauxita, insumo essencial para a produção de alumina. Com a nova composição acionária, o Brasil passa a integrar de forma mais direta a geopolítica dos metais críticos, em um cenário de competição intensa entre a China e países ocidentais pela segurança no fornecimento de matérias-primas estratégicas.
O alumínio tem ganhado destaque na economia de baixo carbono devido ao seu uso em linhas de transmissão, veículos elétricos, energia solar e eólica, além de aplicações na construção civil e infraestrutura. Leve, reciclável e eficiente, o metal é cada vez mais monitorado por governos e grandes grupos industriais.
O Brasil possui vantagens competitivas, com uma das maiores reservas de bauxita do mundo, atrás apenas da Guiné e da Austrália, além de uma matriz elétrica predominantemente renovável, o que possibilita a produção de alumínio com baixa pegada de carbono.
A entrada da Chalco, ao lado da Rio Tinto na CBA, sinaliza uma rara convergência entre interesses chineses e ocidentais em um ativo brasileiro. A operação ainda depende de aprovações regulatórias no Brasil e no exterior, mas o mercado já interpreta este movimento como indicativo do protagonismo crescente do alumínio — e, em sua origem, da bauxita — na nova geografia econômica impulsionada pela transição energética.
A Chalco é o principal braço operacional do grupo estatal chinês Chinalco e atua ao longo de toda a cadeia do alumínio, da mineração à geração de energia. Já a Rio Tinto possui atuação em mais de 35 países e é líder global na produção de bauxita e alumínio, com destaque no fornecimento de matérias-primas essenciais à economia de baixo carbono.