
A economia brasileira mostrou sinais de desaceleração em 2025, ao registrar um crescimento do PIB de 2,3%, totalizando R$ 12,7 trilhões. Este índice representa a menor expansão dos últimos cinco anos, pois em 2024 o avanço foi de 3,4%, com a economia atingindo R$ 11,7 trilhões. Mais relevante do que a taxa de crescimento em si, é analisar a composição econômica e identificar os elementos que ainda impulsionam ou limitam a velocidade do crescimento.
No que tange à oferta, o setor de serviços continua sendo o principal motor da economia do país. Em 2025, este setor cresceu 1,8% e movimentou cerca de R$ 7,6 trilhões, representando aproximadamente 60% do PIB, embora tenha desacelerado em comparação ao crescimento de 3,7% registrado no ano anterior.
A indústria respondeu por aproximadamente 20% do PIB, cerca de R$ 2,6 trilhões, e apresentou crescimento de 1,4% em 2025, abaixo dos 3,3% conquistados em 2024, evidenciando uma redução na atividade industrial. Em contrapartida, a agropecuária teve uma recuperação significativa, crescendo 11,7% no ano passado e alcançando cerca de R$ 775 bilhões, ou 6% do PIB, após ter diminuído 3,2% em 2024.
Importante notar que o setor com maior crescimento nem sempre é o que mais contribui para o aumento do PIB. Apesar da expansão moderada de 1,8%, os serviços foram responsáveis por cerca de 1,1 ponto percentual do crescimento em 2025. A agropecuária somou aproximadamente 0,7 ponto percentual, enquanto a indústria contribuiu com cerca de 0,3 ponto percentual.
Do ponto de vista da demanda, o consumo das famílias permanece o principal impulsionador da atividade econômica, representando cerca de 64% do PIB, com R$ 8,1 trilhões em 2025. No entanto, o ritmo de crescimento diminuiu, passando de 4,8% em 2024 para apenas 1,3% no último ano.
O consumo do governo respondeu por cerca de 19% da economia e cresceu 2,1% em 2025, ligeiramente superior aos 1,9% do ano anterior. Os investimentos, que representam aproximadamente 16% do PIB, aumentaram 2,9% em 2025, após uma expansão de 7,3% em 2024. Comparativamente, economias emergentes que crescem de forma mais acelerada costumam apresentar taxas de investimento acima de 25% do PIB, evidenciando a margem de melhoria do Brasil.
Este cenário está parcialmente explicável pela conjuntura macroeconômica que inclui uma política monetária restritiva. Paralelamente, mostram-se as limitações estruturais do modelo de crescimento brasileiro, entre as quais se destacam o baixo nível de investimento, a elevada dependência do consumo das famílias, um crescimento industrial moderado e a contribuição limitada do setor externo, devido à equivalência próxima de exportações e importações.
Para 2026, as expectativas continuam moderadas, com projeções de crescimento abaixo de 2%, mesmo com a estimativa de queda na taxa de juros para cerca de 12%. Além disso, o ambiente econômico ainda enfrenta desafios tais como o avanço da inadimplência, que atingiu níveis recordes e compromete o consumo, assim como as persistentes incertezas fiscais decorrentes do desequilíbrio nas contas públicas.
Portanto, apesar do crescimento positivo do PIB, a economia brasileira enfrenta obstáculos para consolidar períodos de expansão mais robusta, enquanto não forem feitos avanços estruturais capazes de aumentar o investimento, elevar a produtividade e ampliar de forma consistente a capacidade produtiva do país.