
O consumo de materiais de construção por construtoras e incorporadoras iniciou o ano de 2026 em níveis superiores aos registrados nos últimos anos, sugerindo continuidade e aquecimento das atividades no setor imobiliário. Nos dois primeiros meses do ano, tanto os insumos básicos quanto os materiais de acabamento apresentaram crescimento significativo em comparação aos anos de 2023, 2024 e 2025.
De acordo com levantamento realizado pelo Ecossistema Sienge, em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção, o consumo de materiais de base — incluindo cimento, areia, blocos e aço — atingiu uma média de 126 pontos no bimestre, superando os 102 pontos de 2025 e os 116,5 pontos de 2024. Os materiais de acabamento, como tintas e revestimentos, alcançaram 176 pontos, bem acima dos 114,5 registrados no ano anterior.
O indicador considerado utiliza janeiro de 2023 como base, fixada em 100 pontos, e acompanha a evolução das compras a partir da análise de milhões de notas fiscais emitidas no setor. O desempenho mais expressivo foi encontrado nos materiais de acabamento, que mantêm níveis elevados após o pico registrado em 2025. Segundo o Sienge, esse comportamento reflete tanto fatores sazonais quanto estratégias adotadas pelas empresas do segmento.
Mesmo com a desaceleração tradicional do início do ano, os dados de 2026 demonstram que o consumo permaneceu acima dos patamares observados nos mesmos períodos dos anos anteriores. Em janeiro, os índices foram de 130 pontos para materiais de base e 174 para materiais de acabamento; em fevereiro, os números foram de 122 e 178 pontos, respectivamente.
O aumento no consumo de materiais de acabamento indica que as obras iniciadas em ciclos anteriores avançaram para etapas finais, enquanto a alta nos insumos básicos aponta para o começo ou retomada de novos empreendimentos, já que esses itens são essenciais nas fases iniciais da construção civil.
Esse movimento acontece em um cenário em que o mercado imobiliário demonstra resiliência, mesmo frente a juros elevados e restrições no crédito. Segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, o ano de 2025 terminou com 453 mil unidades lançadas, representando um crescimento de 10,6% em relação ao ano anterior, e as vendas permaneceram acima de 100 mil unidades no período.
A previsão para os próximos meses é de um fortalecimento gradual da atividade, impulsionado pelo início do ciclo de redução da taxa básica de juros. Essa diminuição do custo do capital deve estimular novos investimentos, embora o impacto direto nas obras deva ocorrer de forma progressiva.
Para 2026, a expectativa do setor é de uma mudança na composição do consumo de materiais, com maior participação de soluções industrializadas e sustentáveis. A projeção é que os materiais de acabamento representem mais de 30% das compras totais, refletindo um foco maior na eficiência operacional.
O crescimento no consumo de insumos é visto como um indicativo da atividade da construção civil. Um aumento consistente neste consumo sinaliza expansão no volume das obras, tanto em número de projetos quanto em tamanho dos empreendimentos, confirmando a tendência positiva para o segmento.