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CRM-PB investiga erros em laudos no Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires
27 de fevereiro de 2026 / 15:58
Foto: PB Saúde

O Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) iniciou uma sindicância para investigar possíveis erros nos laudos médicos do Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, localizado em Santa Rita, na Grande João Pessoa. A medida foi anunciada na sexta-feira (27) pelo presidente do CRM-PB, Bruno Leandro, após denúncias feitas na quinta-feira (26) acerca de falhas na emissão desses documentos.

De acordo com Bruno Leandro, a sindicância já está em andamento por meio da corregedoria do conselho. Profissionais da saúde que não quiseram se identificar relataram diversas irregularidades, principalmente na emissão de laudos de exames de imagem, que teriam iniciado em outubro de 2025 com a substituição da equipe médica radiologista interna por uma empresa terceirizada.

Um dos médicos denunciou que os erros nos laudos representam riscos graves à saúde dos pacientes, citando o caso de um laudo que ignorou um aneurisma de aorta torácica de grandes proporções, situação que configura uma emergência médica e pode ser fatal se não devidamente diagnosticada.

Além da sindicância, o CRM-PB realizou uma fiscalização no hospital na tarde da quinta-feira (26) para verificar outras irregularidades denunciadas, como problemas na estrutura física da unidade. Entre as falhas, foi constatado que a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) apresentava temperatura inadequada, com termômetros marcando 25 a 26 graus, cenário prejudicial à saúde e ao exercício da medicina, já que a refrigeração é fundamental para evitar infecções.

Também foram encontradas deficiências no número de profissionais na UTI e ausência de equipamentos importantes, como o monitor de pressão intracraniana, essencial para procedimentos neurológicos. O CRM-PB estipulou um prazo de sete dias para que essas inconformidades sejam corrigidas, sob risco de interdição ética parcial do setor.

Em uma carta interna obtida pela reportagem, médicos da unidade denunciam que os erros nos laudos são frequentes e se caracterizam por descrição técnica insuficiente e conclusões genéricas, o que compromete a confiabilidade dos documentos. O Sindicato dos Médicos da Paraíba (Simed-PB) também manifestou preocupação com a situação, afirmando que estes problemas podem levar a condutas médicas equivocadas, prejudicando o tratamento dos pacientes.

Um médico não identificado ressaltou que a empresa que emite os laudos atende tanto pacientes internos quanto externos, inclusive de cidades fora da Grande João Pessoa. Assim, muitos profissionais que recebem esses exames em outras localidades podem confiar em informações erradas, aumentando o risco para esses pacientes.

A Fundação PB Saúde, gestora do Hospital Metropolitano, declarou que quatro empresas credenciadas realizam os exames de ressonância magnética e tomografia em 11 equipamentos espalhados pelas macrorregiões da Paraíba, além da realização de ultrassonografias. Segundo a fundação, este modelo busca garantir agilidade nos resultados e suporte especializado às equipes médicas.

Em relação às denúncias, a fundação afirmou que divergências de interpretação em laudos são comuns na prática médica, especialmente em exames de alta complexidade, e que a elaboração do laudo é um ato técnico, médico e baseado em critérios científicos. Ressaltou ainda que a conduta clínica é definida pela equipe assistencial considerando o exame físico, histórico do paciente e demais informações, não se baseando exclusivamente no laudo de imagem.

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