
Para grande parte das famílias, a economia é sentida de forma prática e direta no dia a dia, especialmente no supermercado, no posto de combustível e na compra do botijão de gás. Apesar dos indicadores tradicionais como PIB, juros e mercado de trabalho serem amplamente divulgados, o custo de vida representa a realidade que impacta diretamente o orçamento doméstico. Recentemente, os índices oficiais divulgados pelo IBGE, IPCA e INPC, indicam uma pressão crescente sobre os preços que afetam esses gastos.
O IPCA apresentou alta de 0,88% em março, acima dos 0,70% registrados em fevereiro. No acumulado de 2026, atingiu 1,92%, enquanto nos últimos 12 meses totalizou 4,14%. É fundamental destacar que o aumento dos preços está centrado principalmente nos setores de transporte e alimentação e bebidas, que juntos corresponderam a 76% do índice no mês. A gasolina subiu 4,59% e a alimentação no domicílio avançou 1,94%, alcançando a maior elevação desde abril de 2022.
O INPC, que reflete a inflação para famílias com renda entre 1 e 5 salários mínimos, mostra uma pressão ainda mais evidente sobre o orçamento desse grupo. Em março, o índice subiu 0,91% em comparação com 0,56% no mês anterior. No ano, acumula 1,87%, e em 12 meses, 3,77%. O aumento dos alimentos foi de 1,65%, confirmando que a alta dos itens básicos permanece como um fator principal de aperto financeiro para essas famílias.
Em João Pessoa, os dados também são preocupantes. Conforme relatório do Dieese, o custo da cesta básica aumentou 5,53% em março, atingindo o valor de R$ 652,95. Em comparação ao mesmo período de 2025, a alta foi de 4,16%, e no primeiro trimestre de 2026, o índice acumulado alcançou 9,25%. Apesar desse aumento, João Pessoa está entre as cidades com menor custo da cesta básica no país, ocupando a 6ª posição. Produtos como tomate, feijão carioca, arroz e carne bovina foram os que mais influenciaram o crescimento dos preços.
Na Paraíba, a pressão sobre os preços do dia a dia se estende também a outros itens essenciais. Pesquisa do Procon-JP indicou variações no preço da gasolina entre R$ 6,26 e R$ 6,75. O botijão de gás, por sua vez, chegou a custar R$ 120,00 no estado. No setor da construção civil, o índice SINAPI apresentou alta de 0,37% no Brasil durante março, mas o Nordeste registrou a maior taxa regional, de 0,95%, com a Paraíba apresentando variação ainda maior, de 1,83%.
Assim, mesmo que os indicadores econômicos pareçam melhorar, é no custo de vida que as famílias sentem de verdade os efeitos da economia. Quando os preços de alimentação, transporte, combustíveis, gás de cozinha e custos ligados à moradia continuam pressionados, o custo de vida torna-se a medida mais concreta da realidade vivenciada pelas famílias. No final das contas, a recuperação econômica só será efetiva quando refletir no bolso da população.