
Durante a Semana Santa, o peixe é um item quase indispensável na mesa dos brasileiros, consolidando-se como um importante motor econômico para o período. Conforme dados da Associação Brasileira de Piscicultura, o consumo de pescados no país deve aumentar até 30%, com destaque para a tilápia, que lidera essa expansão.
Apesar da maior demanda, o mercado enfrenta pressões de custo e limitações na oferta, o que inevitavelmente afeta o preço ao consumidor nesta Páscoa. A alta nos custos de produção, combinada a fatores sazonais, gera uma inflação nos valores dos pescados especialmente durante a Quaresma, época em que o consumo se intensifica mais rápido que a oferta disponível.
Conforme explica o economista Pierre Hítalo, “o aumento dos preços dos pescados na Semana Santa está diretamente relacionado à dinâmica entre oferta e demanda. Há um crescimento significativo da procura, impulsionado por fatores culturais e religiosos, mas a oferta não consegue se ajustar com a mesma velocidade, especialmente no caso de produtos como o bacalhau, que dependem de importação”.
O bacalhau é o pescado mais afetado pela inflação, devido à sua dependência do mercado internacional. Enquanto pescados nacionais tiveram um aumento médio de 4,7% nos preços, os importados subiram cerca de 16,4%. Por isso, muitos consumidores buscam alternativas mais econômicas para não abrir mão da tradição, como é o caso do fisioterapeuta Walter Ribeiro, que neste ano optou por tilápia e pescada amarela em vez do bacalhau.
A tilápia, diante do cenário, assume um papel de destaque e redefine o mercado nacional. Segundo dados da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo, essa espécie representa cerca de 30% do volume comercializado, chegando a aproximadamente 2.400 toneladas vendidas somente na Semana Santa. O Brasil produz mais de 700 mil toneladas de tilápia por ano, sendo o quarto maior produtor mundial e com potencial para ocupar o segundo lugar até 2030, conforme a Peixe-BR.
No âmbito regional, a Paraíba acompanha esse crescimento na produção local de tilápia, com cerca de 4 mil toneladas produzidas e um faturamento estimado em R$ 57,6 milhões, segundo o IBGE. Municípios como Mari, Bananeiras e Sapé ganham destaque e fortalecem a cadeia produtiva de pescados no estado.
Mesmo com os preços elevados, o setor de bares e restaurantes mantém expectativas positivas para a Semana Santa. Pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes indica que 63% dos estabelecimentos esperam aumento no faturamento durante o feriado. A presidente da Abrasel-PB, Thâmara Cavalcanti, ressalta o otimismo, citando o crescimento do turismo em João Pessoa como um fator que impulsiona a alimentação fora do lar nessa época.
O mercado de pescados na Semana Santa demonstra um padrão resistente: apesar das pressões sobre os preços, a demanda permanece firme, motivada por aspectos culturais e religiosos. A cadeia produtiva busca se adaptar a esse cenário, equilibrando o aumento dos custos, a substituição do consumo e o fortalecimento dos pescados nacionais, com a tilápia consolidando seu papel estratégico no setor.