
O mercado imobiliário de João Pessoa enfrenta atualmente uma crise institucional que não deve ser encarada como algo passageiro. Nos últimos anos, o setor foi um dos principais responsáveis pela geração de empregos formais na capital e mobilizou investimentos privados bilionários, conforme apontam estudos de entidades empresariais e conselhos profissionais. Contudo, paradoxalmente, esse segmento hoje convive com insegurança regulatória, suspensão de projetos, crédito bloqueado e risco para centenas de empregos. A superação dessa situação exige não apenas soluções jurídicas, mas também um diálogo político e institucional para reconstruir a unidade entre entidades representativas e o poder público.
Incorporadoras, corretores, engenheiros, arquitetos, sindicatos e associações possuem informações essenciais sobre a demanda habitacional, déficit de moradia, infraestrutura e perfil dos investidores. Pesquisas recentes do IBGE indicam que João Pessoa teve, na última década, um dos maiores crescimentos populacionais entre as capitais do Nordeste, acompanhado por uma expansão significativa do turismo e do setor de serviços. Essa dinâmica de crescimento impõe desafios importantes relacionados à mobilidade urbana, saneamento e ocupação do solo.
Relatórios de mercado destacam que a construção civil envolve uma cadeia produtiva com mais de cinquenta atividades econômicas, desde o comércio de materiais até serviços especializados. Cada decisão que paralisa lançamentos ou altera regras sem uma transição apropriada impacta a arrecadação, a renda local e as oportunidades para milhares de famílias. Entretanto, é legítima também a preocupação com a preservação ambiental, a paisagem urbana e a capacidade da cidade, sendo fundamental conjugar esses interesses por meio de um planejamento estratégico.
Para enfrentar esses desafios, torna-se essencial a criação de um fórum permanente de governança urbana, que reúna o poder público, o Ministério Público, universidades e entidades de classe. Experiências em outras capitais mostram que instrumentos como observatórios de dados, audiências técnicas e agendas de transição regulatória ajudam a reduzir conflitos e a qualificar as decisões. João Pessoa dispõe de técnicos capacitados para liderar esse processo e transformar a crise do mercado imobiliário em uma oportunidade de modernização.
Pesquisas indicam que a grande riqueza da cidade está na qualidade de vida, o que exige a definição de regras claras, investimentos coordenados e responsabilidade social por parte dos empreendedores. O desenvolvimento não deve ser medido apenas pelos metros quadrados construídos, mas também pela capacidade de criar comunidades integradas, acessíveis e ambientalmente equilibradas. Assim, esses temas precisam ter um diálogo efetivo com o ordenamento territorial, evitando se tornar simples retórica política. As entidades do mercado imobiliário têm a obrigação de apresentar propostas fundamentadas em dados concretos, como estudos de impacto, projeções de demanda, indicadores de adensamento e soluções sustentáveis. Já o poder público deve garantir previsibilidade, segurança jurídica e canais eficazes para a participação social. Este pacto é fundamental para consolidar a imagem de João Pessoa como uma cidade boa e tranquila para viver e investir.
João Pessoa enfrenta hoje uma encruzilhada histórica. Embora os números revelem um potencial extraordinário, a instabilidade atual expõe fragilidades que precisam ser superadas. A escolha que se impõe é a de romper o impasse para construir, com unidade e base em dados, um projeto comum para o futuro. É imprescindível que prevaleça o espírito republicano capaz de transformar o crescimento econômico em bem-estar social e preservação ambiental.