
Os recentes fenômenos naturais registrados na Paraíba não são eventos isolados ou meras contingências naturais. Em João Pessoa, a ressaca marítima invadiu residências, bares e restaurantes na orla do Jardim Oceania, ultrapassando áreas previamente consideradas seguras. Por outro lado, no sertão paraibano, fortes ventos e chuva de granizo — eventos incomuns para a região — causaram danos significativos e afetaram a vida de muitas famílias.
Esses episódios extremos são exemplos claros de uma mudança climática que se torna cada vez mais evidente e desafiadora. Mais do que alertas da natureza, representam respostas diretas a um modelo de ocupação e desenvolvimento que frequentemente negligenciou limites ambientais, ignorou critérios técnicos e deixou de lado o planejamento sustentável a longo prazo. A Paraíba atualmente vive um importante momento de crescimento econômico, impulsionado pelo turismo, mercado imobiliário, expansão urbana e diversos investimentos públicos e privados. Embora esse desenvolvimento seja legítimo e necessário, é crucial compreender que desenvolvimento econômico sustentável não pode ser construído contra a preservação ambiental, mas sim em parceria com ela. A ausência desse equilíbrio gera vulnerabilidades, prejuízos financeiros, insegurança jurídica e risco social, impactando toda a coletividade.
A ocupação desordenada de áreas sensíveis, supressão de ecossistemas naturais e impermeabilização excessiva do solo, além do avanço sobre faixas costeiras e áreas protegidas, acarretam prejuízos sérios. Quando falta planejamento adequado, as perdas não envolvem apenas o meio ambiente, mas incluem danos patrimoniais, interrupções econômicas, retração de investimentos e sofrimento humano, situação observada em diversas praias do litoral norte paraibano.
Diante desse cenário, é urgente superar discursos ambientais meramente simbólicos, comuns em campanhas, mas pouco refletidos em ações concretas. Preservar não deve ser confundido com uma paralisação do crescimento, como algumas correntes ambientalistas defendem sem base sólida, assim como desenvolver não pode significar degradar o território e ignorar a origem dos problemas ambientais. O verdadeiro desafio está na harmonização do crescimento econômico, segurança ambiental e qualidade de vida, fundamentado em dados técnicos, estudos de impacto, diálogo institucional e responsabilidade intergeracional. Pensar no meio ambiente é, antes de tudo, pensar no futuro das próximas gerações, valorizando fauna e flora como ativos estratégicos de um modelo moderno e resiliente de desenvolvimento. Cidades que respeitam seus limites naturais tornam-se mais atraentes, seguras e economicamente fortes.
A natureza tem demonstrado sinais claros de esgotamento, e cabe à sociedade, ao poder público e agentes econômicos responderem com maturidade, planejamento e visão a longo prazo. O equilíbrio entre preservação e desenvolvimento não é uma questão ideológica, mas uma necessidade prática para assegurar prosperidade, segurança e dignidade às presentes e futuras gerações.