
Duas tartarugas-de-pente foram registradas desovando na manhã desta quinta-feira (22) na praia de Búzios, em Nísia Floresta, na Grande Natal, Rio Grande do Norte. Este acontecimento chamou atenção dos especialistas, pois geralmente a desova dessas tartarugas marinhas ocorre durante a noite, e a ação no início da manhã é considerada rara, principalmente segundo a Associação de Proteção e Conservação Ambiental Cabo de São Roque (APC Cabo de São Roque), responsável pelo monitoramento da área.
De acordo com a educadora ambiental Sara Dore, da APC Cabo de São Roque, a preferência pela desova noturna está relacionada a fatores como temperatura amena e estável, que favorecem o desenvolvimento dos ovos e aumentam as chances de sucesso no nascimento dos filhotes. Além disso, o período noturno reduz os riscos de perturbações provocadas por predadores, veículos e a presença humana nas praias. A desova diurna pode ocorrer em condições específicas, como maré alta em horário adequado e tempo nublado ou chuvoso.
O projeto Tamar reforça que as tartarugas marinhas são animais ectotérmicos e, portanto, evitam o calor intenso do sol durante a desova para preservar sua saúde. A escuridão da noite também protege as tartarugas de possíveis perigos enquanto depositam seus ovos em trechos de praias acima da linha da maré.
Na ação observada pela APC, a desova ocorreu por volta das 6h, surpreendendo os voluntários que acompanhavam o processo. O voluntário Gabriel Rafael descreveu a experiência como intensa, acompanhando desde a abertura do ninho até o retorno das tartarugas ao mar, inclusive registrando a desova de uma segunda tartaruga logo adiante.
O projeto Tartarugas ao Mar, desenvolvido há 10 anos pela APC Cabo de São Roque, atua na conservação das tartarugas marinhas por meio de educação ambiental e proteção dos ninhos. Desde o início do projeto, mais de 2 mil ninhos foram protegidos, com a liberação de mais de 140 mil filhotes.
A temporada de desova no Rio Grande do Norte teve início em dezembro de 2025, e a APC monitora atualmente 15 praias em quatro municípios: Parnamirim, Nísia Floresta, Ceará-Mirim e Maxaranguape. Até o momento, foram registrados mais de 40 ninhos no litoral sul e mais de 50 no litoral norte.
O trabalho é desenvolvido por uma equipe multidisciplinar que inclui veterinários, biólogos, estudantes e pesquisadores, que realizam coleta de amostras biológicas, ações de sensibilização, atendimento a encalhes e proteção dos ninhos, contribuindo para a preservação dessas espécies marinhas.