
Um negócio bilionário envolvendo operações de mineração de ouro na Bahia tornou-se foco de uma disputa entre a Companhia Baiana de Produção Mineral (CBPM) e duas mineradoras internacionais. A polêmica começou quando a empresa canadense Equinox Gold vendeu o direito minerário, que pertence ao estado da Bahia, para a companhia chinesa CMOC, sem que o Governo estadual tivesse participação nas negociações. A venda, anunciada em janeiro deste ano, teve um valor de US$ 1,015 bilhão, aproximadamente R$ 5,319 bilhões, e engloba operações situadas nos municípios de Santaluz e Barrocas, no interior baiano.
A CBPM considera que essa transferência configura uma quebra contratual, pois entende que a Equinox Gold é apenas arrendatária do direito minerário e não proprietária e, por isso, a negociação deveria ter envolvido a estatal. Para garantir seus direitos, a Companhia Baiana de Produção Mineral anunciou que entrará com ação judicial para reaver a operação da área. Em 3 de maio, representantes das três partes envolvidas se reuniram na sede da CBPM, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador, para discutir o impasse. Durante o encontro, a estatal reforçou sua posição de não reconhecer a transferência do direito minerário à CMOC.
Até o momento da última atualização, as duas mineradoras envolvidas não haviam retornado ao contato para dar esclarecimentos sobre a situação. O caso ganha destaque especialmente diante da importância econômica do setor mineral para a Bahia, que mantém uma posição de destaque na produção mineral no Brasil. Essa disputa evidencia a complexidade das operações internacionais envolvendo recursos naturais e o papel dos estados na proteção de seus interesses. A situação segue sendo monitorada de perto, com expectativa por desdobramentos judiciais e negociações entre as partes.