
A criação dos Distritos Industriais do Turismo na Paraíba está transformando o panorama de investimentos no setor turístico e imobiliário do estado. Essa nova legislação oferece um mecanismo para organizar territórios com potencial turístico, concentrando infraestrutura, planejamento urbano e incentivos para atrair grandes projetos privados.
Juan Carlos, CEO da Desbrava e especialista em desenvolvimento imobiliário e turístico, participou da elaboração da proposta que originou a lei e considera que o modelo representa um avanço na estruturação do turismo como política de desenvolvimento econômico. Ele destaca que a principal vantagem da legislação é proporcionar mais segurança e previsibilidade para investidores interessados em projetos turísticos.
“Quando o poder público delimita uma área estratégica para o turismo, consegue organizar infraestrutura, regras urbanísticas e incentivos de forma mais clara, reduzindo riscos e aumentando a confiança dos investidores”, explica.
O conceito dos distritos turísticos foca em concentrar investimentos e planejamento em áreas com potencial para receber empreendimentos voltados ao turismo e entretenimento. Esse modelo já é adotado em destinos internacionais, como a região de Orlando, nos Estados Unidos, onde o complexo Disney funciona como um grande distrito turístico planejado, com infraestrutura e políticas públicas direcionadas à atividade.
No Brasil, essa abordagem ainda é recente, mas um exemplo emblemático é o Polo Turístico Cabo Branco, em João Pessoa, atualmente o maior distrito turístico em desenvolvimento no país. O projeto atrai aproximadamente R$ 3 bilhões em investimentos privados previstos e contempla cerca de 15 mil leitos na rede hoteleira, além de equipamentos de lazer e entretenimento. Juan Carlos atuou na estruturação desse polo e afirma que essa experiência evidenciou a importância de instrumentos legais para planejar o desenvolvimento turístico de maneira organizada.
O governo estadual também vê a nova legislação como uma ferramenta para aumentar a capacidade de atração de investimentos turísticos na Paraíba. Romulo Polari, presidente da CINEP, destaca que a criação dos distritos turísticos faz parte de uma estratégia ampla que visa valorizar o potencial turístico do estado e organizar territórios para melhorar o ambiente para novos investimentos. Ele ressalta que o sucesso do Polo Turístico Cabo Branco demonstra o potencial para implementar grandes projetos turísticos no estado.
Além do turismo, a criação dos distritos turísticos tem impacto direto no mercado imobiliário. Conforme Juan Carlos, grandes empreendimentos turísticos costumam gerar efeitos econômicos significativos nas áreas vizinhas, incentivando a criação de novos projetos residenciais, comércio e serviços voltados ao público visitante. Em João Pessoa, por exemplo, o mercado imobiliário tem apresentado valorização contínua, impulsionada pela expansão do turismo e novos investimentos.
Espera-se que essa nova ferramenta legal permita replicar o modelo em outras regiões da Paraíba com potencial turístico, mas que ainda necessitam de investimentos estruturados. Áreas do interior, como Brejo, Cariri e Sertão, são apontadas como territórios promissores. Juan Carlos observa que muitas dessas regiões possuem valores paisagísticos, culturais e históricos expressivos, mas precisam de planejamento e incentivos para se firmarem como destinos turísticos consolidados.
Finalmente, o modelo abre espaço para a participação ativa do setor privado. Investidores e proprietários de grandes áreas podem apresentar projetos aos municípios que, se alinhados com os critérios técnicos do Estado, podem ter suas áreas oficialmente reconhecidas como distritos turísticos. Juan Carlos destaca que a integração entre iniciativa privada e poder público será essencial para o sucesso do modelo e para a geração de resultados efetivos na Paraíba. “Grandes projetos turísticos nascem da combinação de planejamento público e iniciativa privada, criando oportunidades reais para o desenvolvimento econômico”, conclui.