
A dívida pública federal encerrou o ano de 2025 em R$ 8,635 trilhões, apresentando um aumento de 18% em comparação ao ano anterior, conforme dados divulgados pelo Tesouro Nacional. Para 2026, a expectativa é que o estoque da dívida varie entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões, refletindo os impactos do atual nível dos juros sobre as finanças públicas.
O resultado obtido em 2025 está dentro da meta estipulada pelo Plano Anual de Financiamento (PAF), que previa um patamar entre R$ 8,5 trilhões e R$ 8,8 trilhões. Apesar disso, o valor superou a previsão inicial do Tesouro, que projetava que a dívida não ultrapassaria R$ 8,5 trilhões no ano passado.
Em termos mensais, a dívida pública federal cresceu 1,82% em dezembro em relação a novembro. A dívida interna teve alta de 1,76%, alcançando R$ 8,309 trilhões, enquanto a dívida externa subiu 3,53%, totalizando R$ 326 bilhões.
Quanto à composição da dívida, a participação dos títulos atrelados à taxa Selic aumentou de 46,3% no fim de 2024 para 48,3% em dezembro de 2025. Esse percentual está dentro da meta do Tesouro, que varia entre 48% e 52%. Para 2026, a previsão é que esses títulos representem entre 46% e 50% do total da dívida. Os títulos prefixados mantiveram a participação de 22%, dentro da meta prevista de 19% a 23%, com estimativa de 21% a 25% para o próximo ano. Já os títulos vinculados à inflação recuaram de 27% para 25,9% e devem representar entre 23% e 27% em 2026. Os títulos atrelados ao câmbio caíram de 4,8% para 3,8%, permanecendo dentro da meta de 3% a 7%.
O Banco Central manteve a taxa básica de juros em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos, com o objetivo de controlar a inflação. Esse cenário eleva os custos do governo com pagamento de juros, já que quase metade da dívida está indexada à Selic. O Tesouro informou que os títulos pós-fixados continuarão sendo um instrumento importante de financiamento ao longo de 2026.
A meta para a parcela da dívida com vencimento em até 12 meses no próximo ano é de 18% a 22%, após ter terminado 2025 em 17,5%. Já o prazo médio da dívida deve ficar entre 3,8 e 4,2 anos, depois de encerrar 2025 em 4,0 anos.
Por fim, a reserva de liquidez, que funciona como colchão de segurança para a gestão da dívida, encerrou 2025 em R$ 1,19 trilhão, suficiente para cobrir 7,3 meses de vencimentos, considerado confortável pelo Tesouro. O custo médio do estoque da dívida subiu para 11,85% ao ano, frente a 11,80% em 2024, e o custo médio das emissões da dívida interna avançou para 13,81%, ante 11,04% um ano antes. A participação de investidores estrangeiros na dívida interna também cresceu, passando de 10,20% para 10,35% em 2025.