
A Dívida Pública Federal (DPF) apresentou alta de 2,31% em fevereiro, chegando a R$ 8,841 trilhões, conforme dados divulgados pelo Tesouro Nacional. Esse valor representa um aumento em relação a janeiro, quando a dívida estava em R$ 8,641 trilhões. Desde agosto de 2023, a dívida superou a marca de R$ 8 trilhões pela primeira vez, e as projeções do Plano Anual de Financiamento indicam que o estoque da DPF deve fechar 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.
A Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi), que corresponde à dívida em títulos, cresceu 2,17% em fevereiro, passando de R$ 8,331 trilhões para R$ 8,511 trilhões. Nesse período, o Tesouro Nacional emitiu R$ 102,81 bilhões em títulos líquidos, principalmente prefixados, somando-se ainda a apropriação de R$ 77,76 bilhões em juros, o que contribuiu para o aumento do endividamento. A taxa Selic em 14,75% ao ano também pressiona o estoque da dívida por meio desses juros.
No mercado externo, a Dívida Pública Federal externa (DPFe) subiu 6,13%, de R$ 310,59 bilhões para R$ 329,65 bilhões, mesmo com a redução de 1,54% do dólar. Esse aumento foi impulsionado pela emissão de US$ 4,5 bilhões em títulos do Tesouro Nacional no mercado internacional. Além disso, o colchão financeiro da dívida pública — uma reserva para momentos de instabilidade ou concentração de vencimentos — voltou a crescer, alcançando R$ 1,192 trilhão em fevereiro, ante R$ 1,085 trilhão em janeiro.
A composição da Dívida Pública Federal mudou com o aumento das emissões de títulos prefixados, que passaram de 20,65% para 21,33% entre janeiro e fevereiro. Já os títulos vinculados à Selic diminuíram de 49,42% para 49,1%, e os corrigidos pela inflação tiveram ligeira redução de 26,35% para 25,85%. A participação dos títulos vinculados ao câmbio subiu de 3,58% para 3,71%. O prazo médio da dívida oscilar entre quatro anos, indicador da confiança dos investidores na capacidade do governo de honrar seus compromissos.
Em relação aos detentores da Dívida Pública Federal interna, as instituições financeiras possuem 31,76% do estoque, seguidas pelos fundos de pensão com 22,59%, fundos de investimentos com 21,58%, não residentes com 10,75% e outros grupos com 13,3%. A maior participação dos investidores estrangeiros – que subiu em fevereiro em comparação a janeiro – reflete o aumento da confiança no mercado brasileiro antes do início da guerra no Oriente Médio. A gestão dessa dívida é vital para o governo financiar suas despesas, devolvendo os empréstimos com correções baseadas em diferentes indicadores econômicos.