
O cantor e compositor Djavan começou esta semana em São Paulo a turnê que marca os 50 anos de sua carreira, com datas previstas no Rio de Janeiro para 1, 2 e 8 de agosto. A turnê, que passará por diversas cidades do Brasil, também inclui apresentações na Europa, África e América do Sul. Em entrevista exclusiva concedida antes do início dos shows, Djavan compartilhou suas reflexões sobre música, inspiração, ancestralidade, futebol e o processo criativo que o acompanha até hoje.
Na conversa, o artista destacou a importância da relação com o público na manutenção do seu entusiasmo pela criação: “O que eu enxergo é que a minha predisposição de compor e criar novas canções se mantenha intacta. É isso que me mantém na vida: fazer canções novas, cantar e levar essa música para um público tão diverso e tão generoso comigo.” Djavan ressaltou ainda que o contato com fãs esperando pelas suas composições é fundamental para manter a chama da criação sempre viva.
Falando sobre suas viagens e experiências culturais, ele mencionou que, desde cedo, desenvolveu uma grande curiosidade musical que foi enriquecida pelo contato com diferentes estilos vindos da África, América, Europa e do próprio Brasil. A influência da cultura negra e africana é especialmente marcante em sua trajetória: “Eu sempre tive com a cultura negra e africana uma proximidade ancestral. A música negra sempre foi a música em mim. Tenho esse DNA musical completamente advindo da África.”
Durante a entrevista, Djavan relatou também a dualidade entre seu interesse pela música e pelo futebol na adolescência, chegando a admitir que pensou em seguir a carreira esportiva, já que gostava muito de jogar: “Jogava muito bem e todo mundo achava que eu ia ganhar a vida com aquilo. Eu adoro futebol até hoje.” Além disso, falou sobre a forte influência de sua mãe, a quem atribui a base de sua formação ética e emocional, além de ter sido sua maior incentivadora: “Minha mãe me ensinou tudo. Disse pra mim: ‘Filho, você vai ser cantor’.”
A carreira que se estende por cinco décadas também tem uma ligação intensa com a televisão brasileira. Djavan contou que começou a ter trabalhos com temas de novelas em 1974 e destacou a importância dessas composições na divulgação da sua arte. Ele também tocou no aspecto físico e emocional da composição musical, revelando o quanto a criação pode ser dolorosa e exigente. Para Djavan, a contemplação da natureza e das pessoas é uma fonte constante de inspiração. Sobre seus próximos passos, o músico disse que pensa em, quem sabe, dedicar-se à escrita de um livro no futuro. Apesar da experiência adquirida, ele confessou que ainda sente nervosismo antes de subir ao palco, algo que considera positivo para manter a emoção do show.