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Do barro às ladeiras: o processo dos bonecos gigantes no carnaval de Olinda
11 de fevereiro de 2026 / 08:32
Foto: Divulgação

Os tradicionais bonecos gigantes de Olinda, que encantam foliões ao descerem as ladeiras históricas durante o Carnaval, são fruto de um minucioso e demorado processo artesanal que combina técnica, criatividade e paixão pela cultura popular. Produzidos a partir de materiais como barro, gesso e fibra de vidro, esses personagens imponentes podem pesar entre 17 e 40 quilos e exigem meses de dedicação até ficarem prontos para ganhar as ruas.

A confecção acontece na Embaixada dos Bonecos Gigantes, espaço cultural localizado na Rua do Bom Jesus, no bairro do Recife, onde uma equipe de artesãos transforma personalidades do esporte, da música, do cinema e do entretenimento em verdadeiras esculturas monumentais. Desde 2009, mais de 700 personagens já foram produzidos no local, consolidando o espaço como referência na preservação dessa tradição carnavalesca.

O processo começa pela modelagem do rosto em barro, considerada uma das etapas mais importantes, pois é nesse momento que se define a identidade do boneco — suas expressões, traços marcantes e características físicas. O trabalho exige atenção aos detalhes para garantir fidelidade ao homenageado. Em seguida, o molde em barro recebe uma cobertura de gesso, dividida em duas partes. Após a secagem, o molde é cuidadosamente aberto, formando duas peças que servirão de base para a etapa seguinte.

Com o molde pronto, retira-se o excesso de barro e prepara-se a estrutura interna que dará sustentação ao boneco. A fibra de vidro é então aplicada, tornando-se o principal material da escultura por sua leveza e resistência, características essenciais para suportar o peso durante os desfiles pelas ladeiras de Olinda.

Entre os mais recentes homenageados transformados em bonecos gigantes estão o cineasta Kleber Mendonça Filho e o ator Wagner Moura, exemplos da diversidade de personalidades retratadas. Cada obra passa por um cuidadoso processo de acabamento, que inclui pintura detalhada, aplicação de olhos, sobrancelhas, cabelos e definição precisa da tonalidade da pele. A mistura das tintas requer técnica e sensibilidade artística para alcançar o resultado desejado.

A etapa final envolve a produção das roupas, que podem utilizar até 20 metros de tecido, garantindo movimento e imponência ao boneco durante o desfile. A caracterização é essencial para dar vida ao personagem e reforçar sua identidade visual diante do público.

Segundo Sineide Castro, responsável pela caracterização, a maior recompensa do trabalho é ver a reação das pessoas nas ruas. “É emocionante quando o público reconhece o personagem e se encanta. Cada detalhe é pensado para provocar essa identificação”, destaca.

Mais do que esculturas festivas, os bonecos gigantes representam um patrimônio cultural vivo, símbolo da criatividade e da alegria que marcam o Carnaval de Olinda. O processo artesanal que lhes dá forma é também uma expressão da memória coletiva e da identidade pernambucana, mantendo viva uma tradição que atravessa gerações e segue encantando moradores e turistas a cada ano.

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