
A doença inflamatória intestinal (DII) pode aumentar em até 600% o risco de desenvolver câncer colorretal, de acordo com a professora Sarah Berry, cientista da nutrição do King’s College London. A inflamação persistente causada pela DII danifica o revestimento do intestino, elevando significativamente a probabilidade do surgimento de tumores perigosos. Esse alerta ganha destaque diante do aumento dos casos de câncer colorretal entre jovens, especialmente no Reino Unido, onde pessoas com menos de 50 anos têm cerca de 50% mais chances de desenvolver a doença em relação ao início dos anos 1990. Embora as causas deste aumento ainda não estejam totalmente claras, a DII é apontada como um dos principais fatores envolvidos.
O estudo Prospect, liderado por Sarah Berry, investiga o crescimento do câncer colorretal em adultos jovens. Pesquisas feitas na Suécia indicam que a inflamação crônica no intestino pode multiplicar por seis a incidência do câncer entre pacientes com DII. Esta condição engloba principalmente a doença de Crohn e a colite ulcerativa. A doença de Crohn afeta qualquer parte do trato digestivo e provoca sintomas como dor, diarreia, fadiga e perda de peso, enquanto a colite ulcerativa causa inflamação restrita ao intestino grosso, com episódios de diarreia, sangue nas fezes e urgência para evacuação.
Especialistas acreditam que a DII esteja relacionada a uma resposta inadequada do sistema imunológico, que passa a atacar tecidos saudáveis do intestino, favorecendo processos inflamatórios crônicos capazes de desencadear alterações celulares associadas ao câncer. Além disso, um estudo de 2023 revelou que pessoas com diabetes tipo 2, hipertensão, colesterol elevado e aumento da circunferência abdominal apresentam risco até 360% maior de desenvolver câncer colorretal jovem, comparado a quem não possui essas condições.
Diante desses dados, os pesquisadores recomendam a inclusão de pacientes com DII e outros fatores metabólicos em programas de rastreamento precoce para câncer de intestino. O tratamento adequado da doença inflamatória intestinal pode reduzir substancialmente o risco da progressão para câncer. Atualmente, tanto a doença de Crohn quanto a colite ulcerativa são controladas com medicamentos biológicos que diminuem a resposta exagerada do sistema imunológico e a inflamação no intestino. O diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo são essenciais para minimizar os impactos dessas doenças e prevenir complicações graves, como o câncer colorretal.