João Pessoa 28.13 nuvens dispersas Recife 28.02 nuvens dispersas Natal 28.12 nuvens dispersas Maceió 29.69 algumas nuvens Salvador 27.98 nublado Fortaleza 29.07 céu limpo São Luís 30.11 algumas nuvens Teresina 34.84 nuvens dispersas Aracaju 27.97 nuvens dispersas
publicidade
Dólar cai ao menor nível em quase dois anos após mudança nas tarifas dos EUA
24 de fevereiro de 2026 / 08:30
Foto: Divulgação

O dólar encerrou a sessão desta segunda-feira (23) em queda de 0,14%, cotado a R$ 5,1685, atingindo o menor valor desde 28 de maio de 2024, quando havia fechado a R$ 5,1534. O movimento reforça uma tendência recente de apreciação do real diante da moeda norte-americana, em meio a uma combinação de fatores externos e domésticos que vêm influenciando o comportamento dos investidores. Apesar do alívio no câmbio, o principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, recuou 0,88%, encerrando o dia aos 188.853 pontos, refletindo um ambiente de cautela nos mercados globais.

A queda do dólar ocorreu após uma decisão relevante da Suprema Corte dos Estados Unidos, que considerou ilegal o chamado “tarifaço” proposto pelo ex-presidente Donald Trump em abril deste ano. Por 6 votos a 3, os ministros entenderam que a International Emergency Economic Powers Act (IEEPA) não concede ao presidente autoridade para impor tarifas amplas sem a aprovação do Congresso. A decisão representa um freio importante à estratégia comercial adotada pelo governo republicano, baseada na aplicação de tarifas recíprocas como instrumento de pressão econômica.

Entretanto, o cenário está longe de se estabilizar. No último fim de semana, Trump anunciou uma nova rodada de tarifas com base na Trade Act of 1974, especificamente utilizando a Seção 122 da norma. Esse dispositivo permite a imposição temporária de tarifas de até 15% por um período de até 150 dias, enquanto o Congresso analisa a medida. A nova taxa de 15% incide sobre produtos importados de praticamente todos os países que mantêm relações comerciais com os Estados Unidos, com exceções para minerais críticos, determinados produtos agrícolas e componentes eletrônicos considerados estratégicos.

De acordo com estudo da Global Trade Alert, Brasil e China aparecem entre os maiores beneficiados pela reconfiguração das tarifas. No caso brasileiro, a redução média das tarifas alcançaria 13,6 pontos percentuais. Para a maioria dos produtos exportados pelo Brasil, permanecem válidas as tarifas regulares acrescidas do adicional temporário de 15%. Já nos setores de aço e alumínio, as alíquotas seguem elevadas, podendo chegar a 50%, além da nova sobretaxa, o que mantém desafios relevantes para a indústria nacional.

Esse novo arranjo comercial pode gerar ganhos pontuais de competitividade para o Brasil, especialmente em segmentos nos quais o país concorre diretamente com outras economias emergentes. Caso a redução média das tarifas se consolide e haja estabilidade nas regras, exportadores brasileiros podem ampliar participação no mercado norte-americano. No entanto, a volatilidade externa e a imprevisibilidade das decisões em Washington continuam sendo fatores de risco.

No cenário doméstico, o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central do Brasil, também influenciou as expectativas do mercado. Economistas reduziram pela sétima semana consecutiva a projeção da inflação para 2026, de 3,95% para 3,91%, e mantiveram a estimativa de 3,80% para 2027. Caso essas previsões se confirmem, a inflação de 2026 ficará abaixo da registrada em 2025, quando o índice fechou em 4,26%. Esse movimento reforça a percepção de que o ciclo de aperto monetário pode ter chegado ao fim e abre espaço para cortes graduais na taxa básica de juros.

A expectativa para a Selic ao final de 2026 recuou de 12,25% para 12,13% ao ano, enquanto a projeção para 2027 permaneceu em 10,50%. Já a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 subiu levemente, de 1,80% para 1,82%, sinalizando um ambiente de atividade moderada, porém resiliente. Em relação ao dólar, o mercado projeta cotação de R$ 5,45 ao final de 2026 e R$ 5,50 em 2027, indicando que, apesar do alívio recente, ainda há expectativa de depreciação cambial no médio prazo.

Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street fecharam em baixa, refletindo a incerteza quanto aos rumos da política comercial e seus possíveis impactos sobre a inflação e o crescimento. Na Europa, o índice STOXX Europe 600 caiu 0,45%. O DAX, da Alemanha, recuou 1,06%, enquanto o CAC 40 teve queda de 0,22%. Já o FTSE 100, no Reino Unido, encerrou praticamente estável.

Na Ásia, parte das bolsas permaneceu fechada devido a feriados, reduzindo o volume de negociações. Ainda assim, o Hang Seng Index avançou 2,5% em Hong Kong, enquanto o KOSPI, na Coreia do Sul, registrou alta de 0,7%, sinalizando um desempenho mais positivo na região.

Para o Brasil, o cenário combina oportunidades e riscos. A queda do dólar, aliada à expectativa de inflação menor e à possibilidade de redução gradual dos juros, tende a criar um ambiente mais favorável para o câmbio e para setores dependentes de importações. Por outro lado, a bolsa de valores segue sensível ao noticiário internacional e às mudanças na política comercial norte-americana. No curto prazo, os investidores devem acompanhar atentamente os desdobramentos em Washington, além de indicadores domésticos relevantes, como o IPCA-15 e os dados de emprego, que podem redefinir expectativas sobre juros, crescimento e fluxo de capital estrangeiro.

publicidade
Copyright © 2025. Direitos Reservados.