
O dólar iniciou o pregão desta quarta-feira (4) em queda no mercado brasileiro, revertendo a forte alta observada na véspera, quando superou a marca de R$ 5,31, atingindo o maior valor em seis semanas. Apesar da queda, o câmbio continua sensível à escalada do conflito no Oriente Médio, que influencia o preço do petróleo, os ativos de risco e as principais Bolsas ao redor do mundo.
No início das negociações, o dólar comercial era cotado a R$ 5,230, uma baixa de 0,57%. Na sessão anterior, a moeda americana avançou quase 2%, refletindo o aumento da aversão ao risco diante do fechamento de rotas de petroleiros e da elevação significativa do preço do petróleo no mercado internacional.
Analistas destacam que o desempenho do real está condicionado por dois fatores opostos. Por um lado, o aumento no preço do petróleo beneficia moedas de países exportadores de commodities; por outro, a maior incerteza global tende a prejudicar economias emergentes. Conforme aponta André Valério, economista sênior do Banco Inter, a volatilidade deve persistir enquanto o cenário geopolítico continuar indefinido.
O petróleo permanece próximo dos maiores preços desde julho de 2024. Por volta das 9h, o barril Brent, negociado em Londres, subia 1,3%, cotado a US$ 82,47, enquanto o WTI avançava 0,5%, a US$ 74,90. A principal preocupação do mercado é a possibilidade de interrupções no fluxo de energia pelo Estreito de Ormuz, rota essencial para o comércio global de petróleo.
Na busca por proteção diante da instabilidade internacional, o ouro também se valorizou. O contrato para abril teve alta de 1,6%, refletindo a migração dos investidores para ativos considerados mais seguros. Já a Bolsa tenta se recuperar após uma queda forte de 3,3% no pregão anterior. O Ibovespa acompanhou o mau humor global, que afetou negativamente as Bolsas da Ásia, Europa e Estados Unidos. Segundo levantamento da Elos Ayta, o valor de mercado das empresas listadas encolheu R$ 166,4 bilhões em um único dia.
João Duarte, sócio da One Investimentos, destaca que enquanto persistir a incerteza sobre a duração e intensidade do conflito, a volatilidade permanecerá elevada, com o dólar sendo sustentado por prêmios de risco e as moedas emergentes permanecendo mais vulneráveis. Assim, o comportamento do dólar no mercado brasileiro deve seguir influenciado por esses fatores nos próximos dias.