
O dólar encerrou a segunda-feira (22) em alta firme frente ao real, avançando 0,97% no mercado à vista e sendo negociado a R$ 5,5844. O movimento refletiu, principalmente, o aumento expressivo das remessas de juros e dividendos ao exterior, comportamento típico do fim de ano que ganhou ainda mais força diante das mudanças tributárias previstas para 2026, levando empresas e investidores a anteciparem operações cambiais.
A sessão foi marcada por liquidez reduzida, em razão do feriado de Natal e de uma agenda econômica pouco carregada tanto no Brasil quanto no exterior. Ainda assim, o fluxo de saída de recursos foi suficiente para pressionar o câmbio doméstico, levando a moeda norte-americana a se aproximar do patamar de R$ 5,60 ao longo do pregão.
No mercado futuro, o contrato de dólar para janeiro, atualmente o mais negociado na B3, registrou alta de 0,67%, encerrando o dia cotado a R$ 5,5940. Apesar do avanço pontual nesta sessão, a moeda americana acumula queda de 9,62% em 2025, refletindo um cenário mais favorável ao real ao longo do ano, ainda que com episódios de volatilidade.
Durante o pregão, o dólar à vista atingiu máxima intradia de R$ 5,6075, com valorização de 1,39%, por volta das 15h20. O movimento chamou atenção por ocorrer na contramão do comportamento do dólar no mercado internacional, onde a divisa apresentou recuo frente à maioria das moedas globais, evidenciando que os fatores domésticos tiveram papel determinante na formação da taxa de câmbio brasileira.
Profissionais do mercado explicam que a pressão recente sobre o real está diretamente ligada à antecipação das remessas ao exterior, motivada pelo fim de benefícios fiscais atualmente em vigor. A partir de janeiro de 2026, a isenção do Imposto de Renda sobre remessas internacionais será extinta, passando a incidir uma alíquota de 10%. Além disso, dividendos mensais acima de R$ 50 mil também passarão a ser tributados à mesma taxa, o que tem levado empresas e investidores a anteciparem transferências enquanto o regime atual ainda permite isenção.
Para atender à maior demanda por moeda estrangeira neste período de saída de recursos, o Banco Central realizou, na última sexta-feira, leilões de linha no montante de US$ 2 bilhões. Esse tipo de operação consiste na venda de dólares com compromisso de recompra futura, instrumento utilizado para prover liquidez ao mercado sem alterar o nível das reservas internacionais.
Segundo Jefferson Rugik, diretor da Correparti Corretora, o comportamento do câmbio reflete um movimento concentrado de última hora. “Muita gente, de última hora, está remetendo juros e dividendos ao exterior, o que está pressionando”, afirmou, destacando que esse fluxo tende a ser pontual, mas intenso.
No cenário externo, o dólar apresentou desempenho negativo. Por volta das 17h09, o índice do dólar (DXY) — que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas fortes — recuava 0,46%, aos 98,245 pontos. A desvalorização foi mais acentuada frente ao iene japonês, após autoridades do Japão sinalizarem a possibilidade de intervenção no mercado cambial, o que reforçou a moeda asiática.
Pela manhã, o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, trouxe revisões nas expectativas do mercado. A projeção para o dólar ao final de 2025 subiu de R$ 5,40 para R$ 5,43, enquanto a estimativa para o fim de 2026 foi mantida em R$ 5,50. No campo inflacionário, as previsões passaram por ajustes marginais para baixo: a expectativa para o IPCA de 2025 recuou de 4,36% para 4,33%, e a de 2026 caiu de 4,10% para 4,06%.
O comportamento do câmbio nos próximos dias deverá continuar sensível ao fluxo financeiro de fim de ano, à atuação do Banco Central e às expectativas em torno do novo regime tributário, em um ambiente de menor liquidez e maior volatilidade típica do encerramento do calendário financeiro.