
Estamos vivendo a maior longevidade da história do Brasil e do mundo, com a expectativa de vida global em 71 anos e, no Brasil, em 76 anos. Assim, é esperado que nossa população envelheça significativamente em breve. Contudo, as pessoas que hoje têm entre 60 e 80 anos passaram por dificuldades financeiras durante as décadas de 1980 e 1990, devido a períodos de hiperinflação nos governos Sarney (1985-1990) e Collor (1990-1992). Essas adversidades ocorreram justamente quando essas gerações estavam em desenvolvimento profissional e financeiro, o que limita atualmente sua capacidade de adquirir imóveis e serviços do segmento sênior living.
Diferentemente do Brasil, nas mesmas épocas nos Estados Unidos e na Europa, houve grande crescimento econômico. Assim, os idosos nesses países possuem alto poder aquisitivo e são consumidores ativos de imóveis. No entanto, no Brasil, o cenário de abundância para empreendimentos sênior living está previsto para começar apenas a partir de 2040, quando a geração X (nascidos entre 1964 e 1979), que hoje tem em média 55 anos, chegará aos 70 anos. Antes disso, essa geração tende a não participar do mercado de imóveis sênior, pois tem acesso ampliado à saúde, pratica esportes, realiza exames regularmente e resiste ao rótulo de “idoso”.
Baseando-se em mais de 30 anos de dados do mercado imobiliário brasileiro, é certo que incorporadores que investirem excessivamente neste segmento neste momento podem enfrentar dificuldades. É possível, contudo, que empreendimentos sênior living com perfil boutique, oferecendo serviços de alta qualidade e poucas unidades, tenham sucesso pontual a curto prazo. Porém, em sua totalidade, esse modelo não deve apresentar sucesso generalizado no Brasil nos próximos dez anos.
Esse cenário reforça a necessidade de planejamento estratégico na área, com atenção às características específicas da população envelhecida brasileira atualmente, diferenciando-se dos mercados estrangeiros que inspiram o conceito sênior living.