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Empresário baiano impulsiona o cacau como motor econômico e turístico no Brasil
25 de janeiro de 2026 / 12:05
Foto: Divulgação

O cacau brasileiro vive uma das transformações mais profundas e estratégicas de sua história recente. Antes visto majoritariamente como commodity agrícola, o produto passou a ocupar um novo patamar ao ser associado à qualidade, identidade territorial, sustentabilidade e alto valor agregado, tornando-se um ativo relevante para a gastronomia, o turismo de experiência, a indústria criativa e o comércio internacional. No centro desse processo está o empresário baiano Marco Lessa, CEO da MVU Empreendimentos, reconhecido como uma das maiores referências globais na valorização do chocolate de origem e do modelo bean-to-bar — no qual todo o processo, do grão à barra, ocorre de forma controlada e rastreável.

Criador de eventos estruturantes como o Chocolat Festival e o Origem Week, Lessa foi um dos principais responsáveis por reposicionar o Brasil no mapa mundial dos chocolates finos. Sua estratégia integrou produtores rurais, indústrias artesanais, chefs renomados, pesquisadores, compradores internacionais, governos e destinos turísticos em torno de um objetivo comum: transformar a origem do cacau em valor econômico, cultural e simbólico, estimulando o beneficiamento local e o desenvolvimento regional sustentável.

Natural de Guanambi, no alto sertão da Bahia, Marco Lessa teve contato com a cadeia do cacau ainda jovem, após se mudar para Ilhéus, cidade símbolo da cultura cacaueira brasileira. Formado em publicidade, sua trajetória profissional passou por experiências decisivas, como uma visita a Gramado (RS) — referência nacional em turismo e chocolate — e a participação na produção da novela “Renascer” (1993), gravada em fazendas de cacau no sul da Bahia. Esses episódios ajudaram a moldar sua visão de que o cacau poderia ser muito mais do que matéria-prima agrícola.

Nos anos 1990, com a devastação causada pela vassoura-de-bruxa, que colapsou a economia cacaueira baiana, Lessa identificou uma oportunidade histórica: reposicionar o cacau brasileiro pela qualidade, identidade e inovação, rompendo com o modelo extrativista e dependente de exportação de amêndoas in natura. Essa percepção deu origem, em 2009, ao Chocolat Festival, inicialmente realizado em Ilhéus com apenas 13 estandes.

Hoje, o Chocolat Festival é reconhecido como o maior evento do segmento na América Latina e um dos mais relevantes do mundo. Ao longo de 44 edições, realizadas no Brasil e no exterior, o festival reuniu mais de 500 marcas, cerca de 350 expositores por edição e um público acumulado superior a 1,2 milhão de visitantes, passando por países como França, Portugal e Bélgica. O evento tornou-se uma plataforma estratégica para lançamento de marcas bean-to-bar, capacitação técnica de produtores, debates sobre sustentabilidade, geração de negócios e promoção do turismo ligado ao cacau.

O impacto dessas iniciativas levou Marco Lessa a figurar por três vezes entre os 100 empresários mais influentes do agronegócio brasileiro, segundo a revista Agroworld. A valorização da origem foi aprofundada com a criação do Origem Week, evento que amplia o conceito para outras cadeias produtivas da agricultura familiar e produtos com identidade territorial, como castanha-do-pará, cafés especiais, guaraná, charutos, mel e derivados regionais. Realizado na Bahia, em Brasília, em Altamira (PA) e no exterior, o Origem Week fortalece pequenos e médios produtores e facilita o acesso a mercados premium, encurtando cadeias de comercialização.

Segundo Marco Lessa, o propósito central dessas iniciativas é transformar produtos brasileiros em marcas globais, capazes de comunicar biodiversidade, cultura, sustentabilidade e excelência produtiva. Essa estratégia ganhou projeção internacional por meio das Missões Internacionais de Valorização da Origem do Cacau e do Chocolate Brasileiro, lideradas por ele. Em 2025, durante o Salon du Chocolat de Paris, o Brasil foi homenageado como País de Honra, com uma delegação formada por produtores da Bahia e do Pará, estados responsáveis por mais de 80% da produção nacional de cacau.

A missão resultou em potenciais negócios estimados em 5 milhões de euros, ampliação de contratos de exportação e fortalecimento da imagem do chocolate brasileiro no exigente mercado europeu. Para 2026, a MVU planeja expandir sua atuação estratégica na Europa e nas Américas, ampliando a presença das marcas brasileiras e consolidando o país como referência mundial em chocolate fino de origem.

Outro eixo fundamental dessa transformação foi o fortalecimento do turismo de experiência ligado ao cacau, especialmente na Bahia e no Pará. Roteiros como a Estrada do Chocolate – Costa do Cacau (BA) e a Rota Transamazônica do Cacau – Vale do Xingu (PA) oferecem vivências que incluem visitas a fazendas, acompanhamento da colheita, fermentação e secagem, visitas a fábricas artesanais, degustações guiadas e imersões culturais nas comunidades locais. Essas experiências impulsionam o turismo rural, gastronômico e de negócios, gerando renda complementar para agricultores familiares e pequenos empreendedores.

A Bahia, tradicional exportadora de amêndoas, passou a investir fortemente no beneficiamento local, produzindo chocolates finos, manteiga de cacau, nibs, cacau em pó e insumos para as indústrias cosmética e farmacêutica. Esse avanço no modelo bean-to-bar estimulou o surgimento de centenas de marcas artesanais e premium, consolidando o estado como uma das novas potências globais do chocolate fino.

Eventos como o Chocolat Festival e o Origem Week atuam como catalisadores desse ecossistema, integrando produção, mercado, inovação, turismo e sustentabilidade. A trajetória de Marco Lessa se confunde com a própria transformação do cacau brasileiro nas últimas duas décadas — de um setor marcado por crises sanitárias e econômicas a um ativo estratégico de desenvolvimento regional, cultural e internacional.

Reconhecido como um dos principais especialistas globais em chocolate de origem e estratégias de valorização territorial, Marco Lessa atua diretamente na internacionalização de marcas brasileiras, na profissionalização da cadeia produtiva, na geração de negócios sustentáveis e no fortalecimento da imagem do Brasil como produtor de excelência no mercado gourmet mundial.

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