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Empresas alertam para demissões e alta de preços com fim do 6×1
25 de fevereiro de 2026 / 08:16
Foto: Divulgação

Nos últimos dias, houve intensas movimentações em Brasília para acelerar a aprovação da proposta que encerra a escala de trabalho de seis dias seguidos por um de folga (6×1). Em resposta, o setor privado iniciou reuniões para avaliar os impactos da medida e buscar alternativas diante da pressão política que apoia a nova regra.

O governo federal, junto ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), busca agilizar a tramitação da PEC que elimina o 6×1, com expectativa de aprovação em maio. Essa articulação tem gerado desconforto nos segmentos industriais, comerciais e de serviços, especialmente por seu avanço em ano eleitoral.

Espera-se um repasse do aumento dos custos operacionais aos preços, além de uma provável redução do quadro de funcionários. Com a implementação da escala 5×2, para equilibrar a elevação dos custos, as horas trabalhadas cairiam, porém os salários seriam mantidos. Frente a isso, entidades como a federação das indústrias de São Paulo e o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), que representa mais de 70 empresas, defendem postergar o debate para 2027, após as eleições.

Um empresário do varejo nacional criticou o processo, afirmando que, depois de dez anos discutindo a reforma trabalhista, uma decisão abrupta visa desestruturar os custos do setor privado por motivações eleitorais. Outro empresário da indústria têxtil relatou que, após a movimentação de Motta no domingo, as empresas começaram a se mobilizar junto à Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE).

Esse empresário destacou que apoiam uma flexibilização das normas trabalhistas, mas alertou contra a pressa com que o tema está sendo discutido. Entidades que representam lojistas também criticam a aceleração da pauta pelo governo como estratégia para obter mais votos em 2024.

Segundo Mauro Francis, presidente da Associação Brasileira de Lojistas Satélites de Shoppings (Ablos), o fim do 6×1 por razões políticas, sem uma análise aprofundada, poderá levar muitas lojas a migrarem de shoppings para as ruas, onde os custos são menores, ocasionando demissões e fechamento de estabelecimentos. Ele ressalta que as empresas ainda suportam dificuldades para absorver a inflação anual e não estariam preparadas para um novo aumento de custos.

Em reunião remota entre associações de varejo, discutiu-se que a implantação da escala 5×2, sem redução de salário, pode elevar em até 10% o custo por hora trabalhada, devido à redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, conforme previsto no projeto em análise.

Analistas da XP Investimentos avaliaram os custos das empresas acompanhadas e indicaram que, se os custos de mão de obra subirem 10% e os varejistas não repassarem estes valores aos preços, o Ebitda e o lucro líquido poderão cair 8% e 18%, respectivamente, impactando dividendos e investimentos futuros. Empresas com maior diversificação internacional, como Mercado Livre e Smart Fit, ou com margens maiores, como Lojas Renner e Vivara, seriam menos afetadas. Estados com margens reduzidas, como varejo farmacêutico e alimentício, sofreriam mais.

Danniela Eiger, chefe de análise de varejo da XP, comentou que, embora exista espaço para aumento de produtividade, seria necessário repassar custos aos preços. Ela acrescentou que além da mão de obra, outras áreas podem ser impactadas, como serviços terceirizados.

Analistas do Itaú BBA projetam uma redução de pelo menos 14% no lucro líquido da rede Assaí para 2027 sem medidas mitigatórias. O BTG Pactual indicou que cerca de 30% das operações da Vulcabras sofreriam impacto com a mudança da escala.

Representantes de entidades descartaram a possibilidade de ganhos reais de produtividade oriundos do descanso remunerado aos fins de semana, alegando falta de comprovação técnica que justifique compensação do aumento dos custos. Um diretor de atacadista destacou que estudos indicam que a produtividade do trabalhador não compensaria o maior custo.

Uma proposta de compensação, como a desoneração da folha de pagamentos, sugerida pela Frente Parlamentar Mista do Empreendedorismo, não conta com apoio da maioria dos setores industriais e de varejo, especialmente diante do cenário fiscal do INSS, o que pode tornar essa alternativa inviável, conforme avaliação de empresários da indústria calçadista.

Em nota, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, declarou que o fim do 6×1 é uma causa justa apoiada pelo presidente Lula e que estudos do Ipea indicam que os setores têm condições de absorver a redução da jornada, considerando o perfil dos pequenos negócios. Gleisi também criticou os argumentos alarmistas do debate, ressaltando que medidas similares, como a redução de jornada anterior, não resultaram nas previsões negativas divulgadas.

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