
A endometriose é uma doença crônica que afeta muitas mulheres e se apresenta por uma dor intensa que não deve ser normalizada. Sintomas como dor forte durante a menstruação, desconforto nas relações sexuais, alterações intestinais e até dificuldades para engravidar podem indicar a presença da doença, que é caracterizada pelo crescimento de células do endométrio fora do útero. A ginecologista Bruna Petri Lages alerta que a endometriose é uma condição inflamatória sistêmica capaz de afetar diversos órgãos e sistemas do corpo feminino, causando significativa piora na qualidade de vida.
A especialista define os principais sintomas da doença como a chamada doença dos “cinco Ds”: dor na relação sexual, dor ao menstruar, dor pélvica crônica, dor ao urinar e dor ao evacuar. Além disso, muitas mulheres enfrentam sintomas adicionais, como inchaço abdominal e alterações emocionais, incluindo irritabilidade. Um dos grandes desafios no combate à endometriose está no atraso do diagnóstico, que pode levar até sete anos devido à normalização da dor intensa pelas pacientes, que acabam aceitando o sofrimento como algo comum.
Outro impacto importante da endometriose é a possível associação com a infertilidade, já que muitas mulheres só buscam ajuda médica após tentativas frustradas de engravidar. O estresse causado pela dor constante também agrava o quadro inflamatório, sendo fundamental um acompanhamento que considere tanto os aspectos físicos quanto emocionais.
Embora não exista uma cura definitiva para a endometriose, é possível controlar os sintomas com um tratamento individualizado. Inicialmente, o cuidado é clínico, mas em alguns casos a cirurgia pode ser necessária para a remoção dos focos da doença, visando melhorar a fertilidade e a qualidade de vida das pacientes. O diagnóstico costuma ser confirmado por exames de imagem, como ultrassom com preparo intestinal e ressonância magnética, que identificam as áreas afetadas.
A médica ressalta ainda a importância do apoio familiar e dos parceiros no processo, reforçando que minimizar a dor da mulher dificulta o tratamento. Segundo Bruna Petri, ampliar o debate sobre endometriose é fundamental para que mais mulheres reconheçam que sentir dor intensa não é normal e possam procurar ajuda adequada, diminuindo o sofrimento silencioso causado pela doença.