
O Banco Central do Brasil informou que o investimento estrangeiro em ações brasileiras registrou saldo positivo de US$ 3,752 bilhões em janeiro, desempenho significativamente superior ao observado no mesmo mês de 2025, quando a entrada líquida foi de US$ 1,841 bilhão. O resultado sinaliza um aumento expressivo do interesse internacional pelo mercado acionário do país neste início de 2026.
O movimento indica maior apetite ao risco por parte dos investidores estrangeiros, possivelmente impulsionado por fatores como expectativas de estabilização macroeconômica, perspectivas de redução gradual dos juros e avaliação de que ativos brasileiros estejam com preços atrativos em relação a outros mercados emergentes.
Em contraste, os fundos de investimento registraram saída líquida de US$ 1,824 bilhão em janeiro, resultado bem mais negativo do que o déficit de US$ 189 milhões observado no mesmo período do ano anterior. Esse desempenho sugere uma realocação de recursos, com investidores priorizando aplicações diretas em ações e títulos de renda fixa, em vez de fundos estruturados.
Já os investimentos estrangeiros em títulos de renda fixa apresentaram desempenho robusto, com saldo positivo de US$ 6,939 bilhões no primeiro mês de 2026. O número contrasta fortemente com o resultado negativo de US$ 2,370 bilhões registrado em janeiro do ano passado. A entrada relevante de recursos nessa modalidade pode estar associada ao diferencial de juros ainda elevado no Brasil em comparação com economias avançadas, o que torna os papéis locais mais atrativos sob a ótica do retorno.
O Banco Central ressalta que esses dados refletem a movimentação efetiva de dólares que ingressaram ou saíram do país, e não necessariamente as operações de compra e venda de ativos realizadas por investidores estrangeiros na bolsa brasileira. Ou seja, os números dizem respeito ao fluxo financeiro internacional contabilizado no balanço de pagamentos.
Por outro lado, a conta de lucros e dividendos apresentou déficit de US$ 4,654 bilhões em janeiro, acima dos US$ 3,986 bilhões registrados no mesmo mês de 2025. Esse resultado indica aumento nas remessas de resultados de empresas ao exterior, o que também impacta o fluxo cambial.
As despesas com juros externos também cresceram, alcançando US$ 3,661 bilhões, frente aos US$ 3,094 bilhões apurados um ano antes. O avanço reflete maior pagamento de encargos financeiros relacionados a dívidas externas, tanto públicas quanto privadas.
Em conjunto, os dados revelam um cenário de forte entrada de capital produtivo e financeiro no início de 2026, especialmente em ações e renda fixa, ao mesmo tempo em que há aumento nas remessas de lucros e pagamentos de juros. O quadro evidencia uma dinâmica mais intensa do fluxo de capitais, com impactos relevantes sobre o câmbio, o mercado financeiro e as perspectivas econômicas do país ao longo do ano.