
A escalada das tensões no Oriente Médio, acompanhada da alta significativa no preço do petróleo, trouxe o etanol de volta ao centro das discussões sobre o futuro energético mundial. Especialistas destacam que, caso o conflito na região se intensifique, o Brasil, e principalmente o Nordeste, poderá tirar vantagem desse cenário com o aumento da demanda global por biocombustíveis.
Nesta última semana, o preço do barril de petróleo alcançou US$ 114 nas bolsas internacionais, o que representa um crescimento de aproximadamente 23% em relação ao fechamento anterior. Esse movimento reflete a preocupação com a instabilidade na região do Estreito de Ormuz, rota marítima vital para o transporte de energia global.
Segundo estudos da consultoria Rystad Energy, cerca de 15 milhões de barris diários, o equivalente a 20% da oferta mundial, passam por esse estreito. As tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã aumentam o risco de interrupções no fornecimento, fator que pressionou os preços a níveis elevados, como já observado durante a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.
Historicamente, o aumento no preço do petróleo torna os combustíveis fósseis mais caros, o que impulsiona a competitividade de fontes renováveis, como o etanol. No Brasil, maior produtor mundial de cana-de-açúcar, a valorização da gasolina leva as usinas a priorizar a produção de etanol, ampliando a oferta dessa fonte renovável no mercado.
Embora o Centro-Sul concentre a maior parte da produção nacional, o Nordeste tem ganhado destaque no setor sucroenergético. Estados como Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte possuem tradição na cultura da cana e têm investido nos últimos anos em modernização das usinas e expansão da produção de biocombustíveis, fortalecendo sua participação na matriz energética regional.
Além disso, o contexto internacional, com aumento da pressão para redução das emissões de carbono, estimula a transição para fontes de energia menos poluentes, o que favorece o crescimento do etanol. Para o Brasil, isso representa crescimento nas exportações, ampliação da demanda interna e fortalecimento do setor agrícola.
Analistas do mercado energético apontam que uma intensificação do conflito no Oriente Médio pode acelerar investimentos em biocombustíveis, criando uma janela de oportunidade para o Nordeste, que possui condições históricas e estruturais para ampliar seu protagonismo na cadeia global de energia renovável.