João Pessoa 28.13 nuvens dispersas Recife 28.02 nuvens dispersas Natal 28.12 nuvens dispersas Maceió 29.69 algumas nuvens Salvador 27.98 nublado Fortaleza 29.07 céu limpo São Luís 30.11 algumas nuvens Teresina 34.84 nuvens dispersas Aracaju 27.97 nuvens dispersas
Escassez de mão de obra e chuvas atrasaram obras no Polo Turístico Cabo Branco
14 de janeiro de 2026 / 19:08
Foto: Divulgação

João Pessoa vive um momento emblemático de transformação urbana e econômica, impulsionado pela crescente demanda turística e por um movimento de investimentos privados e públicos que desembocam no Polo Turístico Cabo Branco. Concebido como o maior complexo turístico planejado em execução no Brasil, o Polo reunirá hotéis, resorts, parques temáticos e aquáticos, além de equipamentos de apoio e comércio, em uma área de 654 hectares.

Embora a expectativa pelo novo vetor de desenvolvimento na região leste da capital continue alta, os cronogramas de alguns empreendimentos tornaram-se mais flexíveis diante de fatores operacionais que impactaram prazos originalmente projetados. Entre esses fatores, dois se destacam e têm sido citados por empreendedores, especialistas e gestores como determinantes para os ajustes de calendário nas obras: as chuvas intensas e prolongadas do ano passado e a escassez de mão de obra em todos os setores da economia, principalmente na construção civil.

O ano de 2025 registrou volumes pluviométricos (chuvas) atípicos na Paraíba, com precipitações acima das médias históricas em diversos meses, o que trouxe desafios adicionais para a execução de etapas críticas de obra, como terraplenagem, drenagem e fundações, que dependem de janelas de tempo seco para avançar com segurança e eficiência. Embora os dados oficiais sobre as chuvas ainda estejam sendo compilados, técnicos do setor climático e da construção alertaram para uma tendência de chuva persistente e volumosa no período, superior a anos anteriores, sobrecarregando canteiros e exigindo replanejamentos técnicos. 

A esse quadro climático somou-se um fenômeno mais estrutural da economia nacional: a escassez de mão de obra na construção civil. Pesquisa recente da Fundação Getúlio Vargas revelou que cerca de 82% das empresas do setor relataram dificuldade para recrutar trabalhadores, especialmente para funções especializadas e operacionais, como eletricistas, carpinteiros e mestres de obra, níveis não vistos em mais de uma década.  Dados de sondagens do setor também indicam que essa dificuldade persiste em grande parte dos segmentos da construção, e que a pressão por profissionais qualificados tornou-se o principal entrave à produtividade e à conclusão de obras no prazo inicialmente previsto. 

Especialistas em engenharia e gestão de projetos ressaltam também que obras de grande porte, que demandam a preparação e estruturação de grandes áreas, como as do Polo Turístico Cabo Branco, são ainda mais sensíveis a esses dois vetores de impacto. A complexidade logística desses canteiros, assim como a interdependência entre etapas, por exemplo, a necessidade de concluir drenagens antes da instalação de estruturas definitivas, faz com que qualquer atraso em uma frente reverta em ajustes em outras, ampliando o efeito no cronograma global.

Essa combinação de fato técnico e fatores conjunturais gerou a necessidade de revisão de cronogramas dos projetos/obras em andamento. Ainda que essas mudanças de agenda possam parecer retrocessos isolados, elas expressam um movimento de aprendizado operacional e adaptação às condições climáticas e de mercado que a própria cidade está atravessando em seu processo de consolidação turística.

Para João Pessoa, esse momento representa um duplo alinhamento: por um lado, desafios de execução que exigem atenção à coordenação técnica e qualificação de mão de obra; por outro, uma oportunidade de fortalecer cadeias produtivas locais, ampliar a oferta de trabalho especializado e ajustar a oferta de infraestrutura à realidade de um destino que recebe cada vez mais visitantes. Ao transformar obstáculos em subsídios para um planejamento urbano mais resiliente, a capital paraibana pode consolidar um modelo de desenvolvimento turístico que combine ambição de longo prazo com capacidade de resposta a variáveis externas.

Nesse sentido, os ajustes de cronograma, longe de se configurarem como entraves definitivos, aparecem como reflexo de um processo evolutivo de uma cidade que equilibra crescimento econômico e qualificação institucional, apta a ajustar sua logística de obras e ações públicas à medida que se firma como um dos destinos preferenciais do litoral brasileiro.

Copyright © 2025. Direitos Reservados.