
A Eslováquia, país do centro da Europa com cerca de 5,4 milhões de habitantes, tornou-se uma referência global na indústria automobilística. Com produção anual próxima a 1 milhão de veículos, o país é o maior produtor de carros por habitante do mundo, superando economias muito maiores. Um destaque importante é a fábrica da Kia, localizada perto da cidade de Žilina, no norte do país. Considerada a principal base da montadora no continente europeu, essa unidade recebeu investimentos da ordem de € 2,5 bilhões e emprega aproximadamente 3.700 trabalhadores. O processo produtivo utiliza cerca de 690 robôs na soldagem das carrocerias e conta com montagem final feita majoritariamente por trabalhadores locais, resultando em um veículo produzido a cada minuto.
Além da Kia, outras montadoras de renome mundial mantêm operações na Eslováquia, como Volkswagen, que produz modelos VW e Škoda, a Stellantis, Jaguar Land Rover, e a Volvo, que planeja inaugurar em 2027 uma fábrica dedicada a veículos elétricos. O setor automotivo no país ganhou força após a Revolução de Veludo em 1989, que simbolizou o fim do regime comunista na antiga Tchecoslováquia. Nos anos 1990, empresas da Europa Ocidental começarem a investir atraídas pelos custos competitivos e a tradição industrial local.
De acordo com o consultor automotivo Peter Prokop, atualmente os salários na indústria eslovaca são cerca de 60% dos praticados na Europa Ocidental, mantendo alta produtividade. Na fábrica da Kia, o salário médio mensal é de € 2.400, valor superior à média nacional (€ 1.403 em 2023), mas ainda abaixo da média da União Europeia de € 3.417. A localização geográfica central da Eslováquia facilita o acesso ao mercado europeu, principal destino da produção automotiva local, com destaque para Reino Unido, Espanha, Itália e Alemanha. Outro ponto positivo é a matriz energética do país, predominantemente de baixo carbono, como hidrelétricas e usinas nucleares, que favorece a produção de veículos elétricos que atendem a políticas europeias de incentivo.
A indústria automobilística é ainda suportada por uma extensa rede de cerca de 360 fornecedores que atuam direta ou indiretamente no setor, reforçando a cadeia produtiva e contribuindo para a economia nacional. O governo eslovaco oferece incentivos fiscais para as montadoras, com a Kia recebendo um crédito fiscal de € 29 milhões para adaptação à produção de veículos elétricos, dentro de um investimento total de € 108 milhões. Segundo o prefeito de Žilina, Peter Fiabane, a presença da Kia tem impacto direto na redução do desemprego e fortalecimento econômico regional, estimando-se mais de 20 mil empregos diretos e indiretos vinculados à fábrica na região.