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Espécie de anfíbio descoberta no PI vive antes dos dinossauros
30 de março de 2026 / 15:40
Foto: Divulgação

Uma nova espécie de anfíbio que existiu há cerca de 280 milhões de anos foi descoberta a partir de fósseis encontrados nos estados do Piauí e Maranhão. Esta espécie viveu na Terra muito antes do surgimento dos dinossauros, reforçando a importância da pesquisa paleontológica na região. O estudo teve início em 2012, quando o primeiro fóssil de uma mandíbula foi descoberto no município de Pastos Bons, no Maranhão.

A pesquisa envolveu a análise de nove fósseis de mandíbulas, a única parte do animal que foi encontrada até o momento, recolhidos entre os anos de 2012 e 2024. O trabalho foi conduzido por uma equipe internacional composta por pesquisadores dos Estados Unidos, Argentina, Alemanha, África do Sul e Reino Unido, tendo como coordenador o professor Juan Carlos Cisneros, da Universidade Federal do Piauí (UFPI).

As escavações que resultaram nas descobertas ocorreram em três municípios: Nazária, no Piauí, e Timon e Pastos Bons, no Maranhão. Segundo o professor Juan, que nasceu em El Salvador e se naturalizou brasileiro, essa pesquisa é pioneira no Brasil e inédita no hemisfério Sul, já que estudos semelhantes costumam se concentrar no hemisfério Norte.

“Este período é amplamente estudado no hemisfério Norte, porém as investigações na América do Sul são bastante limitadas. Por isso, dediquei-me a este projeto, pois poucos pesquisadores conhecem os animais que habitaram o planeta antes dos dinossauros”, explicou o coordenador do estudo.

Este trabalho é também pioneiro ao identificar um anfíbio herbívoro, isto é, um animal que se alimentava de folhas e frutas, entre os mais antigos do mundo com essa característica. O estudo foi divulgado na revista científica Proceedings of the Royal Society B, em 17 de março.

O anfíbio apresenta características primitivas que o classificam como um tetrápode basal. Aspectos anatômicos descritos pelos pesquisadores como “bizarros” reforçam sua singularidade, como a mandíbula irregular e dentes posicionados lateralmente. A espécie recebeu um nome que significa “mandíbula que mora no rio”.

O professor ainda ressaltou que, além das nove mandíbulas encontradas até 2023 no Piauí e Maranhão, outros fósseis achados recentemente podem abrir caminho para futuras descobertas, ampliando o conhecimento sobre a fauna pré-histórica sul-americana.

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