
Nos últimos 30 anos, a economia brasileira apresentou um crescimento real de 222%, conforme o estudo “Uma Análise Histórica Regional do Crescimento Econômico Real nos Estados do Brasil (1995–2025)”, desenvolvido pela plataforma Brasil em Mapas. Este levantamento examinou o Produto Interno Bruto (PIB) das 27 unidades federativas desde a criação do Plano Real, utilizando dados oficiais do IBGE e projeções alinhadas às Contas Nacionais divulgadas em março de 2026.
Para garantir uma comparação real ao longo das três décadas, o estudo aplicou correção monetária pelo IPCA e utilizou o deflator implícito do PIB. O resultado revela crescimento econômico desigual entre os estados brasileiros. Mato Grosso do Sul lidera o ranking com o maior avanço no PIB, impulsionado especialmente pelo agronegócio e exportação de commodities agrícolas. Por outro lado, o Distrito Federal obteve o menor crescimento, devido à sua economia mais atrelada ao setor público e menos dependente da indústria e agropecuária.
No Nordeste, o cenário chama atenção, pois todos os estados da região tiveram crescimento do PIB acima da média nacional, variando de 351% a aproximadamente 208%. Maranhão e Piauí são os estados com maior expansão econômica, com aumentos de 351% e 335%, respectivamente. Especialistas destacam fatores determinantes para esse desempenho, como a expansão do agronegócio na região do MATOPIBA, que engloba partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, com aumento significativo na produção de soja, milho e algodão.
Além disso, investimentos em infraestrutura desempenharam papel crucial. A criação e ampliação de portos estratégicos, como o Porto do Itaqui no Maranhão, rodovias vinculadas ao agronegócio e projetos nas áreas de energia e mineração fortaleceram a capacidade exportadora e atraíram novos negócios para a região. Também houve contribuição importante do crescimento do mercado interno, influenciado por programas de transferência de renda e maior oferta de crédito, que estimularam o consumo e o comércio local.
Os dados demonstram uma transformação econômica estrutural no Nordeste, com interiorização do desenvolvimento, avanço do agronegócio no semiárido e cerrado, ampliação da infraestrutura energética e logística, além do crescimento dos setores de serviços e turismo. Essa convergência econômica reforça a importância de políticas públicas voltadas para reduzir desigualdades e fomentar o crescimento sustentável no país.