
Um estudo de Viabilidade Técnica, Econômica, Ambiental e Social (Evtea) realizado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, apresentado no dia 25 de setembro, aponta a possibilidade da transposição do Rio São Francisco para diversas cidades do semiárido do Piauí. A pesquisa, iniciada em outubro de 2025 e com previsão de conclusão para novembro de 2026, estudará a transferência de água do rio para regiões que sofrem com a escassez hídrica.
Segundo Giuseppe Serra Seca Vieira, secretário Nacional de Segurança Hídrica do Ministério, o material apresentado é a primeira etapa do estudo e confirma a necessidade da intervenção, além de sugerir alguns cenários para o trajeto da obra. O projeto inicial destaca um benefício direto para 24 municípios do semiárido piauiense, além de impactar mais de 100 cidades indiretamente, beneficiando cerca de 600 mil pessoas. Vieira enfatizou que, após a finalização do estudo, serão iniciadas outras fases, incluindo o licenciamento ambiental e a elaboração do anteprojeto, etapas essenciais para a contratação e execução da obra. O orçamento ainda será definido com base nos resultados do estudo inicial.
O deputado estadual Franzé Silva (PT), que já propôs uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) para discutir o tema, alertou para o atraso nas discussões sobre a utilização da água do Rio São Francisco para as cidades piauienses que carecem do recurso. Ele destacou a importância de uma mobilização política envolvendo o governador, senadores, deputados, vereadores e prefeitos para garantir a inclusão do projeto no orçamento estadual e evitar descontinuidades na execução da transposição. “O Piauí está muito atrasado, está no prejuízo”, afirmou Silva.
Paralelamente, o Ministério Público Federal (MPF) tem cobrado a continuidade da obra do Sistema Adutor do Sertão, que levará água dos poços jorrantes de Cristino Castro para 51 cidades. O MPF demonstrou preocupação quanto ao risco de desperdício de recursos públicos, visto que já houve liberações financeiras para essa construção. A cidade de Simões enfrenta uma seca severa, com 95% dos reservatórios secos, fato que motivou uma audiência pública que reuniu representantes da sociedade, dos governos estadual e municipal, além do Ministério da Integração.
O governo pretende realizar audiências públicas em 24 cidades do Piauí que podem ser beneficiadas pela transposição do Rio São Francisco. Municípios como Fartura do Piauí e Marcolândia também serão contemplados, devido à crise hídrica local. Estudos preliminares indicam que a transposição deverá atender 26 municípios, sendo 24 no Piauí e 2 na Bahia, porém essa lista poderá ser ajustada conforme o avanço das pesquisas. As cidades previstas para receber a água são Alegrete do Piauí, Belém do Piauí, Campo Alegre do Fidalgo, Capitão Gervásio Oliveira, Caridade do Piauí, Coronel José Dias, Curral Novo do Piauí, Dirceu Arcoverde, Dom Inocêncio, Francisco Macedo, Jacobina do Piauí, Lagoa do Barro do Piauí, Massapê do Piauí, Padre Marcos, Patos do Piauí, Paulistana, Queimada Nova, São Francisco de Assis do Piauí, São João do Piauí, São Julião, São Lourenço do Piauí, Simões, Vila Nova do Piauí, Remanso-BA, Sento Sé-BA e São Raimundo Nonato.