João Pessoa 28.13 nuvens dispersas Recife 28.02 nuvens dispersas Natal 28.12 nuvens dispersas Maceió 29.69 algumas nuvens Salvador 27.98 nublado Fortaleza 29.07 céu limpo São Luís 30.11 algumas nuvens Teresina 34.84 nuvens dispersas Aracaju 27.97 nuvens dispersas
Estudo sobre trens de passageiros em ferrovias abandonadas no Nordeste avança
4 de fevereiro de 2026 / 14:20
Foto: Divulgação

O Ministério dos Transportes anunciou a devolução de 3.001 quilômetros de ferrovias não operacionais da Ferrovia Transnordestina Logística (FTL) para a União, abrangendo os estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. Essa medida faz parte do planejamento do Governo Federal, que aguarda para fevereiro um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) acerca da viabilidade de transformar esses trechos inativos em sistemas de transporte de passageiros.

Segundo o secretário Nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Cezar Ribeiro, após a devolução da malha ferroviária, o objetivo principal será converter esses segmentos em benefícios reais à população. “Estamos finalizando estudos para destinar os trechos não operacionais ao uso de VLT (veículo leve sobre trilhos), mobilidade urbana e outras aplicações relevantes para a sociedade”, explicou. O ministério pretende introduzir um novo processo de “chamados públicos” para atrair o setor privado, que já demonstrou interesse em recuperar essa infraestrutura. Especialistas ressaltam que essas ferrovias são essenciais para integrar o transporte público, combinando trens e ônibus, o que pode reduzir custos e evitar congestionamentos.

Enquanto isso, a FTL planeja investir mais de R$ 3 bilhões na modernização da linha ativa para transporte de cargas, promovendo a substituição dos dormentes de madeira por concreto e implementando melhorias urbanas nas cidades da rota. Apesar do foco atual ser o transporte de grãos e celulose, os contratos preveem cláusulas permitindo o uso compartilhado da infraestrutura por serviços de passageiros, caso surjam interessados.

Um dos projetos em análise é a ligação ferroviária entre Recife e João Pessoa. A proposta, discutida desde o final do ano passado, pretende utilizar parte da malha antiga da Rede Ferroviária Federal, desativada nos anos 1990. O trajeto tem cerca de 120 quilômetros, passando por cidades como Abreu e Lima, Goiana, Caaporã e Cabedelo. A reativação depende da avaliação da condição dos trilhos, adequação para transporte de passageiros e definição do modelo operacional, incluindo estações integradas ao transporte urbano nas capitais.

De acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o Nordeste possui mais de 4 mil quilômetros de ferrovias, majoritariamente voltadas ao transporte de cargas. Pernambuco conta com cerca de 480 km de malha ativa, enquanto a Paraíba tem pouco mais de 300 km, grande parte subutilizada ou desativada.

O governo planeja que os trens sirvam como alternativa ao transporte rodoviário nas regiões metropolitanas e entre capitais próximas, visando reduzir a emissão de poluentes, aliviar o tráfego nas rodovias e fortalecer o turismo regional. No caso da linha Recife–João Pessoa, o projeto busca atender a crescente demanda diária entre as duas regiões, que já são conectadas por rodovias duplicadas e linhas de ônibus lotadas. Uma chamada pública será lançada para identificar interessados no desenvolvimento do projeto, com estudos de viabilidade econômico-financeira previstos para até o primeiro semestre de 2026.

Além do trecho entre Recife e João Pessoa, o Ministério dos Transportes avalia outras ligações ferroviárias entre capitais nordestinas, como Fortaleza–Natal, Salvador–Aracaju e Maceió–Recife. A escolha dos trechos levará em conta critérios técnicos, densidade populacional e disponibilidade da infraestrutura. O governo também analisa integrar esses projetos aos sistemas urbanos de trens já existentes, como o metrô do Recife e o VLT de João Pessoa, para ampliar a eficiência do serviço.

Esse cenário destaca a importância do estudo para viabilizar trens de passageiros em ferrovias abandonadas no Nordeste, mantendo o compromisso de revitalizar a infraestrutura ferroviária e expandir opções de transporte público na região.

Copyright © 2025. Direitos Reservados.