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Exercício físico pode proteger o cérebro do Alzheimer e envelhecimento
23 de fevereiro de 2026 / 08:18
Foto: Divulgação

A prática contínua de exercícios físicos traz benefícios que vão além do fortalecimento do corpo, estendendo-se à proteção do cérebro contra o envelhecimento e doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. Um estudo recente realizado por pesquisadores da Universidade da Califórnia, São Francisco (UCSF), revelou um mecanismo biológico capaz de diminuir as inflamações cerebrais e preservar funções cognitivas essenciais, como memória e raciocínio.

Com o avanço da idade, a barreira hematoencefálica, que funciona como uma barreira protetora impedindo a entrada de substâncias nocivas no cérebro, tende a se fragilizar. Essa fragilidade permite que compostos maléficos penetrem no cérebro, causando inflamações associadas ao declínio cognitivo e ao desenvolvimento de doenças como o Alzheimer.

Em pesquisas anteriores, os cientistas notaram que camundongos fisicamente ativos produziam maiores quantidades da enzima GPLD1 no fígado. Essa enzima está associada à melhora das funções cerebrais, embora não consiga atravessar diretamente a barreira hematoencefálica, o que levantava dúvidas sobre seu modo de ação no cérebro.

O novo estudo, publicado na revista Cell, esclareceu esse mistério ao demonstrar que a GPLD1 atua de forma indireta, removendo a proteína TNAP, que se acumula nas células da barreira com o envelhecimento e aumenta sua permeabilidade. A eliminação da TNAP pela GPLD1 contribui para restaurar a integridade da barreira hematoencefálica, reduzindo assim a inflamação cerebral.

Segundo Saul Villeda, autor sênior da pesquisa e diretor associado do UCSF Bakar Aging Research Institute, essa descoberta evidencia a profunda conexão entre o funcionamento do corpo e o declínio cerebral na idade avançada.

Os experimentos também indicaram que camundongos jovens com altos níveis de TNAP apresentaram perdas de memória semelhantes às de indivíduos idosos. Por outro lado, a redução dessa proteína em animais mais velhos resultou na diminuição da inflamação e na melhora do desempenho cognitivo, sugerindo que o mecanismo pode ser ativado mesmo em fases avançadas da vida.

Esses resultados abrem novas possibilidades para o desenvolvimento de medicamentos que fortaleçam a barreira hematoencefálica e retardem o progresso de doenças neurodegenerativas. Para os pesquisadores, a descoberta amplia a compreensão científica sobre o Alzheimer, ao mostrar que a interação entre o cérebro e outros órgãos, como o fígado, é fundamental para a proteção contra o declínio cognitivo.

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