
Os exportadores de mel do Piauí iniciaram 2025 com expectativas positivas, posicionando o estado como líder na exportação do produto no Brasil. No entanto, o cenário mudou drasticamente a partir de agosto, quando o governo dos Estados Unidos implementou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, impactando diretamente o setor. Essa medida provocou o cancelamento de centenas de toneladas de mel destinadas ao mercado americano e colocou em alerta milhares de famílias de apicultores do estado. O Piauí, que responde pela maior parte das exportações nacionais de mel, sofreu um impacto direto com a redução do preço pago aos produtores, que caiu de R$ 18,50 para cerca de R$ 15,00 por quilo em algumas regiões, gerando um adiamento na colheita por parte dos apicultores.
De acordo com a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), o primeiro semestre de 2025 registrou um crescimento de 9% nas exportações em comparação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, após o anúncio das tarifas americanas, as exportações sofreram queda de 6% entre janeiro e novembro de 2025. O setor no Piauí é vital para a economia local, sustentando mais de 40 mil famílias. Empresas importantes como o Grupo Sama, em Oeiras, tiveram vendas canceladas após a imposição da tarifa, com a perda de 585 toneladas de mel, enquanto a Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro (Casa Apis), em Picos, acumulou um prejuízo estimado em R$ 2,5 milhões devido ao bloqueio de 152 toneladas em apenas 15 dias.
Diante da instabilidade do mercado americano, exportadores buscam diversificar destinos comerciais na Europa e na Ásia, mirando países como Alemanha, Holanda, Canadá e Japão, que apresentam maior potencial para o produto brasileiro, especialmente o mel orgânico, valorizado por sua origem sustentável e rastreável. Samuel Araújo, CEO do Grupo Sama, destaca que o mel brasileiro está em boa posição para atender essa demanda global por alimentos saudáveis com impacto social e ambiental positivo.
Para 2026, o setor enfrenta incertezas devido à possibilidade de manutenção do tarifaço, com dificuldades para renovar contratos com compradores americanos. Além disso, problemas climáticos observados em 2025, como primavera fria e períodos de seca no Piauí, que afetaram a produção, também preocupam. Renato Azevedo, presidente da Abemel, alerta para um ano desafiador, no qual a renovação dos contratos com os Estados Unidos representará uma grande dificuldade e poderá resultar na redução dos preços do mel. Assim, 2026 prevê-se um período de ajustes e negociações para os exportadores do setor.