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Expresso Rei de França oferece acordos voluntários em meio à crise financeira
22 de fevereiro de 2026 / 15:08
Foto: Divulgação

Na manhã do último sábado (21), trabalhadores da Expresso Rei de França — antiga 1001 — participaram de uma reunião em São Luís para discutir propostas de desligamento voluntário apresentadas pela empresa diante da crise financeira enfrentada.

A convocação impactou diretamente a circulação dos ônibus, que permaneceram parados na garagem durante o encontro. A paralisação afetou pelo menos 15 bairros da Grande São Luís, como Ribeira, Viola Kiola, Tibiri e Cohatrac, deixando passageiros sem atendimento em diversas linhas operadas pela empresa.

Proposta de desligamento

A empresa apresentou um acordo de desligamento voluntário que garante aos trabalhadores aderentes acesso imediato ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e ao seguro-desemprego. No entanto, valores referentes a salários atrasados, férias e tíquete-alimentação não estariam incluídos na proposta.

Entre as principais reclamações dos funcionários está a ausência de depósitos de FGTS em alguns casos por até oito anos, sem definição clara sobre como esses valores pendentes serão regularizados. Nem todos aceitaram o acordo, e a situação dos que recusaram permanece indefinida.

Posição da empresa

Em nota, a Expresso Rei de França informou que não declarou falência e que a adesão aos desligamentos é opcional. A empresa afirma que continua operando e adotando medidas administrativas para reorganizar suas atividades.

Segundo a companhia, a crise está ligada a dificuldades estruturais do sistema de transporte coletivo, especialmente atrasos e ajustes nos repasses de subsídios públicos, que impactam diretamente a manutenção da operação e dos empregos. A empresa declarou ainda manter diálogo com o poder público, sindicatos e autoridades para buscar a regularização dos recursos financeiros.

Histórico recente de paralisações

Nos últimos dois meses, a antiga 1001 enfrentou três paralisações de rodoviários motivadas por atrasos salariais. Entre elas, uma greve de 12 dias iniciada em novembro e outra na véspera do Natal, ambas resultando na suspensão do serviço e transtornos à população.

As negociações para a convenção coletiva de trabalho de 2026 seguem sem avanços significativos. O sindicato dos trabalhadores rejeitou a proposta de dividir as convenções entre os sistemas urbano e semiurbano, o que mantém aberta a possibilidade de uma paralisação geral do transporte público na Grande São Luís caso não haja acordo.

O cenário reforça a instabilidade no sistema de transporte coletivo da região, que enfrenta desafios financeiros e operacionais, impactando trabalhadores e milhares de usuários que dependem diariamente do serviço.

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