
O Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha alcançou em 2025 um recorde histórico de visitação, ao receber 139.901 turistas, número que ultrapassou de forma significativa o limite anual de 132 mil visitantes estabelecido no acordo de gestão compartilhada firmado entre os governos estadual e federal em 2023. O crescimento acende um alerta sobre a capacidade de suporte do arquipélago e os impactos ambientais decorrentes do turismo acima do previsto.
Em comparação com 2024, quando Noronha recebeu 131.503 visitantes, o aumento foi de 6,39% em apenas um ano, demonstrando uma tendência de crescimento contínuo da procura pelo destino. Do total registrado em 2025, 120.926 visitantes pagaram a taxa de ingresso ao Parque Nacional, enquanto 18.975 pessoas foram isentas, incluindo parentes de moradores, profissionais a serviço, crianças menores de 12 anos e brasileiros com mais de 60 anos, conforme prevê a legislação vigente.
O Parque Nacional Marinho concentra algumas das praias mais famosas e preservadas da ilha, como Baía do Sancho, eleita diversas vezes a melhor praia do mundo, além de Sueste, Atalaia e Praia do Leão. O acesso a essas áreas é condicionado ao pagamento da taxa de ingresso, justamente como forma de controle ambiental e preservação dos ecossistemas marinhos e terrestres altamente sensíveis.
O acordo de gestão homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) estabelece ainda um teto máximo de 11 mil turistas por mês, parâmetro que foi descumprido em oito meses ao longo de 2025, segundo os dados oficiais. A situação gerou preocupação entre os órgãos ambientais responsáveis pela conservação da unidade de conservação.
A coordenadora de Uso Público e Visitação do ICMBio, Cíntia Brazão, destacou que o excesso de visitantes pode estar relacionado ao transporte aéreo acima do limite permitido, levantando a possibilidade de que as companhias aéreas tenham levado mais passageiros do que o acordado. Desde março de 2025, o aeroporto de Fernando de Noronha voltou a receber aviões de grande porte, com operações autorizadas para as companhias Azul, Gol e Latam, cada uma com restrições específicas quanto ao número de passageiros por voo.
No entanto, o ICMBio informou não haver confirmação de que essas regras estejam sendo rigorosamente cumpridas. Diante disso, o órgão ambiental pretende dialogar com a Administração da Ilha para discutir medidas adicionais de controle, já que limitar apenas a venda de ingressos do Parque não tem sido suficiente para conter o fluxo excessivo de pessoas no arquipélago.
Além da pressão sobre as áreas naturais, Cíntia Brazão ressaltou os impactos ambientais indiretos, especialmente sobre os sistemas de abastecimento de água e de esgotamento sanitário, que operam próximos do limite em períodos de alta ocupação. O crescimento desordenado da visitação pode comprometer não apenas o meio ambiente, mas também a qualidade de vida dos moradores e a experiência turística.
Em nota, a Administração de Fernando de Noronha afirmou que o acordo de gestão compartilhada é monitorado constantemente pelos órgãos envolvidos e que ajustes poderão ser realizados sempre que necessário, com o objetivo de garantir a sustentabilidade ambiental, o bem-estar da população local e o equilíbrio do sistema produtivo da ilha, fortemente dependente do turismo.
Quanto ao perfil dos visitantes, São Paulo liderou o envio de turistas para Noronha, seguido por Pernambuco, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Santa Catarina. O arquipélago também recebeu um número expressivo de turistas internacionais, com destaque para visitantes da Argentina, Itália, Estados Unidos e França, confirmando o caráter global do destino.
O recorde de visitação registrado em 2025 reforça a necessidade de atenção permanente às políticas de controle turístico, à fiscalização do transporte aéreo e ao planejamento sustentável, para que Fernando de Noronha continue sendo um dos principais patrimônios naturais do Brasil sem comprometer seus frágeis ecossistemas e sua capacidade de regeneração ambiental.