
A agenda mineral entre Brasil e Índia tem sido marcada principalmente pelo protagonismo do minério de ferro e do cobre, mesmo com o interesse crescente em terras raras e outros minerais estratégicos. A rápida industrialização e a expansão da infraestrutura na Índia elevaram esses dois materiais à condição de prioridades nas negociações bilaterais entre os países. Embora o lítio e as terras raras sejam temas importantes para uma futura cooperação, esses minerais ainda enfrentam cadeias produtivas pouco desenvolvidas nos dois países, limitando seu impacto comercial no curto prazo.
Entretanto, o minério de ferro e o cobre do Brasil exercem impacto direto sobre a indústria indiana, especialmente no setor siderúrgico. Este setor ampliou sua produção de aço para dar suporte a obras públicas, processos de urbanização e projetos relacionados à transição energética. Em 2025, as exportações brasileiras de minério de ferro para a Índia cresceram significativamente, atingindo cerca de US$ 440 milhões, um recorde histórico. Esse volume comercial superou o total acumulado no período de 2017 a 2024. Além disso, o Brasil alcançou a marca de mais de 400 milhões de toneladas exportadas de minério de ferro em um ano, pela primeira vez.
O crescimento da demanda indiana está associado ao desenvolvimento acelerado da siderurgia, que necessita de minério de ferro de qualidade superior para aumentar sua produção. Políticas públicas focadas na construção civil, melhorias em infraestrutura e modernização urbana também têm contribuído para ampliar o consumo de aço e, consequentemente, de minério de ferro. Em 21 de janeiro, o Ministério do Aço da Índia e o Ministério de Minas e Energia do Brasil firmaram um memorando de entendimento para fortalecer a cooperação na mineração e no fornecimento de minerais dedicados à produção siderúrgica.
Além do ferro, as exportações brasileiras de cobre para a Índia também alcançaram um recorde em 2025, totalizando aproximadamente US$ 222 milhões em minério e concentrados. O cobre se destaca como um mineral estratégico na transição energética, sendo fundamental para a eletrificação da economia, com uso em veículos elétricos, cabos, redes de transmissão e equipamentos para geração de energia. Segundo a Agência Internacional de Energia, a demanda global por cobre pode crescer cerca de 30% até 2040. Alinhada a essa tendência, a Vale anunciou planos para dobrar sua produção de cobre até 2035, reforçando a importância desse metal como vetor de crescimento para a empresa nas próximas décadas.