
O curta-metragem “Moleques”, baseado na pesquisa do historiador Roberto Pereira, será lançado na próxima sexta-feira, dia 17, às 19h30, em uma exibição gratuita na Praça do Japão, no bairro da Liberdade, em São Luís. A iniciativa oferece ao público uma oportunidade acessível de conhecer uma produção audiovisual que resgata aspectos pouco explorados da história local.
Com 16 minutos de duração, o filme se passa em 1888, período imediatamente anterior à Abolição da Escravidão no Brasil, e retrata a dinâmica das chamadas “maltas de moleques”. Esses grupos eram formados por crianças e adolescentes — escravizados, livres e libertos — que ocupavam as ruas da cidade, protagonizando práticas que misturavam brincadeiras, conflitos e formas de resistência cotidiana.
A narrativa reconstrói uma São Luís marcada por profundas desigualdades sociais, mas também pela força cultural das populações negras e populares. Segundo Roberto Pereira, essas maltas podiam reunir dezenas ou até centenas de jovens, que circulavam pela cidade promovendo corridas, jogos e até enfrentamentos com a polícia, desafiando a ordem estabelecida pelas elites da época.
O filme foi gravado no Centro Histórico da capital maranhense e contou com a participação de jovens do Quilombo Liberdade, o que trouxe ainda mais autenticidade à produção. Para muitos dos envolvidos, como o estudante Hugo Gabriel e Silva, a experiência foi uma forma de conexão com a própria ancestralidade e uma oportunidade de dar vida a histórias frequentemente ignoradas pelos registros tradicionais.
A produção foi viabilizada com recursos da Lei Paulo Gustavo, criada para apoiar o setor cultural após os impactos da pandemia de COVID-19. O projeto enfrentou desafios comuns a produções fora dos grandes centros, mas conseguiu ser concluído em cerca de dois meses entre preparação e filmagem.
Mais do que um registro histórico, “Moleques” busca provocar reflexão ao apresentar o passado sob uma nova perspectiva, destacando formas de resistência que se manifestavam até mesmo nas brincadeiras e no cotidiano dessas crianças e adolescentes. Ao transformar essa história em cinema, o curta amplia o acesso à memória coletiva e valoriza narrativas que, por muito tempo, foram silenciadas.