
Os moradores e turistas que planejam aproveitar o fim de semana nas praias paraibanas devem redobrar a atenção e ajustar o roteiro de lazer. A Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema) divulgou, nesta sexta-feira (22), o mais recente relatório de balneabilidade, que classificou quatro trechos específicos do litoral do estado como impróprios para o banho. O alerta sanitário concentra-se na Região Metropolitana de João Pessoa, que computou três pontos com desconformidade técnica, e no município de Pitimbu, localizado no Litoral Sul da Paraíba, que registrou uma área afetada.
O documento técnico é o resultado analítico de um monitoramento de campo rigoroso, cujas coletas laboratoriais foram realizadas entre os dias 18 e 21 de maio. O prumo de validade deste relatório estende-se até o dia 29 de maio, data em que as equipes de engenharia ambiental da autarquia devem publicar um novo levantamento epidemiológico. A Sudema faz uma ressalva técnica importante para os banhistas: a restrição de banho limita-se estritamente a um raio de 100 metros para a direita e 100 metros para a esquerda a partir do ponto exato onde a estaca de coleta está fincada. Áreas situadas fora desse perímetro de segurança continuam liberadas para o uso, desde que não apresentem alterações visuais de poluição.
Os pontos críticos: Onde evitar o banho em João Pessoa e Pitimbu
A rede de monitoramento da Sudema é ampla e realiza a varredura semanal em 62 pontos de amostragem distribuídos de ponta a ponta pelo litoral paraibano, englobando os municípios de Mataraca, Baía da Traição, Rio Tinto, Lucena, Cabedelo, João Pessoa, Conde e Pitimbu. No atual diagnóstico, a vasta maioria das praias paraibanas manteve o selo de excelente qualidade hídrica, mas a contaminação pontual por efluentes ou ligações clandestinas de esgoto exigiu o bloqueio dos seguintes endereços:
- João Pessoa (Praias de Manaíra e Tambaú): O trecho em frente à foz da Avenida Senador Ruy Carneiro foi reprovado nos testes bacteriológicos. A área é um dos eixos turísticos e hoteleiros mais movimentados da capital;
- João Pessoa (Praia do Seixas): A restrição foi aplicada nas águas próximas à tradicional Rua dos Pescadores, na Península que marca o ponto mais oriental das Américas;
- João Pessoa (Praia da Penha): O ponto impróprio localiza-se nas imediações da Avenida Praia dos Pescadores, área de forte atividade de colônia de pesca e turismo religioso;
- Pitimbu (Litoral Sul): A desconformidade atinge a faixa de água paralela à Avenida Beira Mar, perímetro que engloba o fluxo de banhistas das praias de Pitimbu, Maceió e Guarita.
Riscos à saúde e a importância do monitoramento contínuo
As autoridades de saúde ambiental reforçam que o desrespeito à sinalização e o contato com águas reprovadas no teste de balneabilidade elevam drasticamente o risco de contração de doenças de veiculação hídrica. A presença de coliformes termotolerantes acima dos limites tolerados pela resolução do Conama pode provocar quadros severos de gastroenterite infecciosa, diarreia, infecções na pele (dermatites), otites (dor de ouvido) e conjuntivite, afetando principalmente crianças, idosos e indivíduos com baixa resistência imunológica.
A publicação sistemática desses relatórios funciona como uma ferramenta vital de governança e transparência, permitindo que a população atue como fiscal da qualidade ambiental e que os comitês de gestão de recursos hídricos identifiquem de forma célere os gargalos na rede de saneamento básico e drenagem pluvial das cidades costeiras. A recomendação expressa para este fim de semana de tempo abafado é buscar as áreas de mar aberto e praias que permanecem com bandeira verde, garantindo o bem-estar da família e a preservação da saúde pública.
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