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Fiocruz desenvolve medicamento fitoterápico a partir da planta quebra-pedra
8 de fevereiro de 2026 / 16:24
Foto: Divulgação

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) está desenvolvendo um novo medicamento fitoterápico no Brasil que terá como base a quebra-pedra, uma planta medicinal tradicionalmente usada por povos da América Latina. Este será o primeiro fitoterápico industrializado produzido por um laboratório público brasileiro que poderá ser distribuído pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A previsão é que o medicamento esteja pronto em menos de seis meses e, após uma fase adicional de estudos que levará cerca de dois anos, ele poderá se integrar ao grupo de 12 fitoterápicos já disponíveis pelo SUS.

O projeto é resultado da colaboração entre a Fiocruz, o Ministério do Meio Ambiente e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que busca fomentar o desenvolvimento sustentável em países membros da ONU. Para a compra de equipamentos, insumos e serviços vinculados à produção, foram alocados R$ 2,4 milhões pelo projeto Fitoterápicos do PNUD, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente.

A Phyllanthus niruri, conhecida no Brasil como quebra-pedra, é uma planta herbácea que cresce em regiões tropicais da maioria dos continentes e está presente em todos os estados brasileiros. Tradicionalmente consumida em forma de chá, seu uso está principalmente associado à prevenção de pedras nos rins.

A planta possui diversos nomes, como erva-pombinha, Chanca Piedra em países de língua espanhola e Bhumyamalaki na Índia. No Brasil, é utilizada por comunidades indígenas como os Ka’apor do Maranhão, que a chamam de Ita-Mirá em sua língua derivada do tupi-guarani.

Pesquisas recentes demonstraram que a quebra-pedra é segura e tem potencial para o tratamento de distúrbios urinários. Um estudo publicado em 2018 por pesquisadores da USP indicou que, entre 56 participantes, o consumo da planta contribuiu para a eliminação de cálculos renais. Além disso, a planta possui efeitos diuréticos e anti-inflamatórios, sendo seu benefício mais comprovado a prevenção da formação de pedras nos rins. O chá impede a acumulação de cristais de oxalato de cálcio, substâncias que formam pedras dolorosas nos rins.

Além de impedir a formação dos cálculos, a planta ajuda a relaxar o sistema urinário, facilitando sua eliminação. Atualmente, não existe no mercado medicamento capaz de atuar nas diferentes etapas da formação dos cálculos renais, o que torna o novo fitoterápico potencialmente inovador.

O consumo do medicamento padrão é mais seguro quando comparado ao chá caseiro, que pode apresentar riscos como a dosagem inadequada e contaminação. Preparações caseiras em excesso podem causar efeitos adversos, como diarreia e vômitos. O processo industrializado permite controle rigoroso e garantia de qualidade do produto.

Conforme destaca Maria Behrens, pesquisadora da Fiocruz, o objetivo é oferecer à população um fitoterápico com processo padronizado e qualidade certificada para evitar os riscos das preparações caseiras, que podem causar ineficácia ou efeitos indesejados.

Nos últimos anos, o SUS tem ampliado o uso de práticas de etnofarmacologia, incorporando benefícios dos conhecimentos tradicionais na medicina. Entre 2023 e 2024, os registros de uso de fitoterápicos no SUS passaram de 500 mil para 562 mil.

Estabelecida em 2006, a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) foi ampliada em 2008 para incluir a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos. A intenção é validar cientificamente os conhecimentos tradicionais e integrá-los à medicina moderna. Atualmente, 12 fitoterápicos são disponibilizados pelo SUS, e diversos estudos comprovam sua segurança e eficácia. Exemplos incluem o xarope de Guaco para doenças respiratórias e a unha de gato com propriedades anti-inflamatórias.

Em 2025, o Ministério da Saúde aumentou em R$ 30 milhões o investimento no programa Farmácia Viva dedicado a fitoterápicos, demonstrando a importância crescente desses medicamentos no sistema público.

O mercado mundial de fitoterápicos é bilionário, estimado em US$ 230 bilhões para 2024. No entanto, o Brasil participa com apenas 0,1% desse mercado, gerando cerca de R$ 868,4 milhões, geralmente como fornecedor de insumos para o exterior e importador dos produtos finais.

Priscila Ferraz, vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, ressalta que o objetivo da instituição é garantir à população brasileira o acesso seguro a fitoterápicos com desenvolvimento tecnológico nacional, contribuindo para solucionar desafios da saúde pública, promover o uso sustentável da biodiversidade e fortalecer a indústria nacional.

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