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Fita cassete de DNA oferece armazenamento de dados por milhares de anos
31 de janeiro de 2026 / 18:30
Foto: Divulgação

Pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul da China criaram uma fita cassete de DNA que representa uma inovação no armazenamento de dados. Inspirada nas antigas fitas cassete dos anos 1980 e 1990, essa nova tecnologia foi detalhada em um estudo publicado em setembro de 2025 na revista Science Advances. O método é escalável e automatizado, oferecendo uma alternativa promissora às tradicionais tecnologias digitais de arquivamento.

Desde 2012, o DNA tem sido estudado como meio de armazenamento devido à sua densidade informacional elevada e durabilidade. Contudo, até o momento, o armazenamento em DNA era limitado por recipientes laboratoriais impraticáveis para uso industrial. A novidade está no uso de uma fita flexível feita de nylon e poliéster, quimicamente tratada para funcionar como um suporte onde as moléculas de DNA são fixadas e protegidas.

Semelhante às fitas cassete tradicionais, que tinham trilhas para organizar o áudio, a fita de DNA possui mais de 500 mil partições de dados que podem ser acessadas individualmente. Um sistema de códigos de barras identifica rapidamente a localização dos arquivos em segundos. Para manusear a mídia, os pesquisadores criaram um drive automatizado, compacto como uma caixa de sapatos, capaz de ler, gravar e buscar dados sem intervenção humana.

A principal vantagem do armazenamento em DNA está em sua densidade: estima-se que um grama do material possa conter até 455 exabytes, volume equivalente ao tráfego mensal de toda a internet global. Se guardado em condições adequadas, os dados podem ser preservados por milhares de anos. Durante a gravação, gotas de DNA sintético são depositadas em locais específicos da fita, correspondendo a endereços físicos de armazenamento.

O sistema Deposit-Many-Recover-Many permite a regravação de dados na mesma posição, e uma camada protetora cristalina de estruturas metalorgânicas — conhecidas como ZIFs — protege o DNA contra calor e umidade. O armazenamento é codificado nas letras A, C, G, e T do código genético, com áreas hidrofóbicas na fita evitando a mistura dos arquivos.

Essa fita cassete de DNA é indicada principalmente para o arquivamento de dados frios, ou seja, informações raramente acessadas mas essenciais para a preservação de registros históricos, jurídicos, científicos e backups antigos. Além disso, a fita não exige energia constante nem refrigeração, o que facilita o desenvolvimento de centros de dados sustentáveis.

No futuro, os pesquisadores esperam criar hubs de dados pessoais, onde as memórias digitais de um indivíduo sejam armazenadas em cartuchos físicos que possam ser transmitidos por gerações. Apesar de seu potencial, a tecnologia ainda enfrenta desafios como a lentidão da gravação e o alto custo da síntese de DNA, limitando o uso em larga escala atualmente.

Mesmo assim, essa fita cassete de DNA sinaliza uma possível transformação nos métodos de armazenamento, com a chance de migrar do silício e eletricidade para a química do DNA, capaz de preservar informação por bilhões de anos.

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